Manifestações com o lema “Sem anistia” reuniram apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em capitais de todas as regiões do país, com críticas diretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao Congresso Nacional. Os atos ocorreram de forma descentralizada, com concentração expressiva no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília, além de mobilizações registradas desde a manhã em outras capitais estaduais.
Na capital fluminense, o protesto teve caráter político-cultural e ocupou a orla de Copacabana. Artistas consagrados da música brasileira participaram do evento, a exemplo do que havia ocorrido em setembro, durante manifestação contra a chamada PEC da Blindagem, proposta que acabou rejeitada no Senado após pressão popular. Um caminhão de som organizou as falas e as apresentações musicais, enquanto movimentos sociais, entidades sindicais e militantes partidários se distribuíam ao longo da avenida.
Durante a concentração, manifestantes exibiram faixas e entoaram palavras de ordem como “Sem anistia” e “Trabalhador, preste atenção: Hugo Motta é inimigo da nação”, em referência ao presidente da Câmara dos Deputados. O ato incorporou ainda outras pautas, como o combate ao feminicídio e a defesa do fim da escala de trabalho 6×1, ampliando o espectro de reivindicações levadas ao protesto.
A organização confirmou a presença de artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Paulinho da Viola, Fernanda Abreu, Emicida, Lenine e Tony Bellotto. As apresentações foram intercaladas com discursos políticos, previstos para ocorrer ao longo da tarde, com a participação de deputados federais e estaduais, além de representantes de centrais sindicais e entidades nacionais.
Em Brasília, a manifestação ocorreu na Esplanada dos Ministérios. A concentração teve início nas proximidades do Museu Nacional, de onde os participantes seguiram em caminhada até o Congresso Nacional. Militantes empunhavam bandeiras do PT, do Psol e do PCdoB, partidos que convocaram oficialmente o ato, e gritavam frases como “Bolsonaro na cadeia” e “Sem anistia”, em alusão aos condenados pelos atos antidemocráticos.
Além do Distrito Federal, também houve mobilizações em cidades como Belo Horizonte, Salvador, Manaus, Belém, Natal, São Luís, João Pessoa, Campo Grande, Maceió, Recife, Teresina e Florianópolis. Em todas elas, o foco principal foi a rejeição a qualquer iniciativa que resulte em redução de penas para envolvidos na tentativa de golpe e nos ataques às instituições democráticas.
O estopim das manifestações foi a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do projeto de lei que altera a dosimetria das penas aplicadas a crimes contra o Estado Democrático de Direito. O texto modifica critérios de cálculo das condenações relacionadas aos atos de 8 de janeiro e à trama golpista, abrindo espaço para a redução da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão.
Em São Paulo, partidos de esquerda e centrais sindicais convocaram o ato para a Avenida Paulista, com concentração em frente ao Masp. A expectativa era de público menor em relação ao protesto de setembro, que reuniu cerca de 42 mil pessoas, segundo levantamento do Monitor do Debate Político do Cebrap em parceria com a ONG More in Common. Ainda assim, faixas com dizeres como “Congresso inimigo do povo” e críticas diretas a Hugo Motta marcaram o ato.
Gritos de “sem anistia” foram repetidos ao longo da manifestação. Um boneco inflável de Bolsonaro vestido com uniforme de presidiário foi exibido ao lado do carro de som. Discursos também miraram o governador paulista Tarcísio de Freitas, enquanto Motta foi chamado de “capacho de golpista”. Houve ainda palavras de ordem defendendo que Bolsonaro “apodreça na cadeia”.
Entre as presenças esperadas estavam os ministros Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, e Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário, além de Edinho Silva, presidente do PT, e Paula Coradi, liderança nacional do Psol.
Foto: Camila Boehm/Agência Brasil

