O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que já enviou uma mensagem ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para agradecer a retirada de sanções impostas com base na Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a esposa do magistrado, Viviane Barci de Moraes, e um instituto ligado à família. Segundo Lula, além do agradecimento, a mensagem também sinalizou que ainda há outros pontos a serem tratados na relação bilateral.

A declaração foi dada em entrevista ao canal SBT News, gravada na sexta-feira e exibida nesta segunda-feira. Lula relatou que fez questão de estabelecer contato direto com Trump após a decisão americana, tomada na última sexta-feira, de retirar os brasileiros da lista de sancionados.

De acordo com o presidente, a mensagem enviada foi clara no tom diplomático. Ele afirmou: “já mandei uma mensagem agradecendo, dizendo muito obrigado por ter tirado Alexandre de Moraes e a esposa da lista de sancionados pela Lei Magnitsky, e acrescentando que ainda tem mais coisas para acertar entre nós”. Lula disse ainda estar confiante de que a relação entre os dois países seguirá em bases positivas. Segundo ele, “tenho certeza de que vai dar certo a nossa relação de comércio e a nossa relação política”.

Lula reforçou que não tem interesse em conflitos com os Estados Unidos e destacou que, antes mesmo da revogação das sanções, já havia solicitado a Trump a retirada de punições aplicadas a autoridades brasileiras. Alexandre de Moraes e sua esposa eram os únicos brasileiros incluídos na lista da Lei Magnitsky, legislação americana voltada a punir estrangeiros envolvidos em graves violações de direitos humanos ou grandes esquemas de corrupção.

A aplicação da lei ao ministro do STF foi duramente criticada por juristas e especialistas, que classificaram a medida como irregular e motivada por retaliação política. O entendimento predominante era de que a sanção estava ligada à atuação de Moraes na ação penal da trama golpista, que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão.

Lula contou que, na semana anterior à decisão americana, fez um apelo direto a Trump. Segundo o presidente, ele disse: “precisa liberar todos os meus ministros que ele colocou nessa lei que pune pessoas de outros países”, ressaltando que os magistrados estavam sendo alvo de punições por cumprirem a Constituição.

O presidente afirmou ter recebido com satisfação a notícia da revogação das sanções e demonstrou otimismo quanto ao fim de outras medidas diplomáticas. Entre elas, estão as revogações de vistos que atingiram ministros do governo e do STF, como Alexandre Padilha, Ricardo Lewandowski, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Flávio Dino e Gilmar Mendes.

Lula concluiu dizendo que continuará dialogando com Trump. Segundo ele, “vai tirar as sanções sobre os outros, porque eu vou continuar insistindo, e a gente vai voltar à normalidade, porque eu acredito no poder da palavra”.

Foto: Ricardo Stuckert/PR


Avatar

administrator