A política de conservação ambiental em Minas Gerais avançou com a aprovação dos Planos de Manejo do Parque Estadual de Botumirim e da Reserva Particular do Patrimônio Natural Andaime. A decisão foi tomada durante reunião da Câmara Técnica de Proteção à Biodiversidade e Áreas Protegidas, vinculada ao Conselho Estadual de Política Ambiental, realizada nesta semana. Com a medida, duas áreas estratégicas passam a contar com instrumentos formais de planejamento, fundamentais para orientar a proteção dos ecossistemas e o uso sustentável dos recursos naturais.
O Parque Estadual de Botumirim é administrado pelo Instituto Estadual de Florestas e está localizado nos municípios de Botumirim e Bocaiúva, no Norte do estado. Já a Reserva Particular do Patrimônio Natural Andaime situa-se em Rio Acima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A aprovação dos planos representa um marco para a gestão dessas unidades, ao estabelecer regras claras de zoneamento, ocupação e manejo ambiental, alinhadas aos objetivos de conservação.
Previsto no Sistema Nacional de Unidades de Conservação, instituído pela Lei nº 9.985, o plano de manejo é um documento técnico essencial para qualquer unidade protegida. Ele define normas de uso, delimita áreas com diferentes níveis de proteção e orienta a implantação de estruturas físicas necessárias à gestão, sempre com base na preservação da biodiversidade e na compatibilização com atividades permitidas.
Segundo a diretora de Unidades de Conservação do Instituto Estadual de Florestas, Letícia Horta Villas Boas, o plano é um instrumento decisivo para garantir a efetividade da proteção ambiental. “No documento, são definidos o zoneamento, as normas de uso e as diretrizes para a implantação das infraestruturas necessárias à gestão da Unidade de Conservação”, afirmou.
O Plano de Manejo do Parque Estadual de Botumirim foi elaborado no âmbito do Programa Comunidades Tradicionais, Povos Indígenas e Áreas Protegidas nos Biomas Amazônia e Cerrado, executado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade. A iniciativa contou com apoio da Agência Norueguesa para Cooperação ao Desenvolvimento, por meio do Ministério das Relações Exteriores da Noruega, reforçando a cooperação internacional voltada à preservação ambiental.
No caso da Reserva Particular do Patrimônio Natural Andaime, o plano aprovado estabelece diretrizes específicas para a conservação de uma área protegida privada. O documento concilia a preservação ambiental com atividades permitidas pela legislação, como pesquisa científica, educação ambiental e visitação controlada. As RPPNs são criadas de forma voluntária por seus proprietários, possuem caráter perpétuo e desempenham papel estratégico na proteção da biodiversidade e dos recursos hídricos.
Com mais de trinta e cinco mil hectares, o Parque Estadual de Botumirim está inserido na Serra do Espinhaço Central e integra a bacia hidrográfica do Rio Jequitinhonha. Entre os cursos d’água de maior relevância estão o rio Noruega, afluente do Jequitinhonha, além dos rios do Peixe e Bananal e dos ribeirões da Onça e do Gigante, fundamentais para o equilíbrio hídrico regional.
Inserido no bioma Cerrado, reconhecido como um dos principais hotspots mundiais de biodiversidade, o parque abriga um expressivo patrimônio natural. Levantamentos já identificaram mais de quinhentas espécies de vertebrados na área e em seu entorno, incluindo peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Essa diversidade indica elevado potencial para o registro de novas espécies e reforça a relevância da unidade para a conservação ambiental.
A aprovação dos planos de manejo fortalece a gestão das áreas protegidas, assegurando diretrizes claras para a preservação da biodiversidade, a proteção dos recursos naturais e a promoção de um uso sustentável dos territórios, conciliando conservação ambiental e desenvolvimento responsável.
Foto: Evandro Rodney

