O número de hospitalizações por vírus respiratórios voltou a crescer em diversas regiões do país, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo sistema InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz. O levantamento indica aumento das internações causadas pelo vírus sincicial respiratório e também pelos vírus influenza A e influenza B, responsáveis por diferentes tipos de gripe que costumam se intensificar durante os períodos de temperaturas mais baixas.
A análise corresponde à Semana Epidemiológica vinte e dois, compreendida entre trinta e um de maio e seis de junho. De acordo com os pesquisadores, o clima mais frio favorece a circulação dos vírus respiratórios, principalmente em ambientes fechados, com pouca ventilação e grande concentração de pessoas.
O estudo identificou que onze unidades da Federação apresentam incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave em níveis considerados de alerta, risco ou alto risco, além de sinais de crescimento nas últimas semanas. Entre os estados que registram esse cenário estão Acre, Alagoas, Amapá, Paraná, Pará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo.
Outras unidades federativas demonstram interrupção do crescimento ou tendência de queda dos casos no longo prazo. Apesar disso, parte desses estados continua apresentando índices elevados de síndrome respiratória grave, o que mantém a necessidade de monitoramento constante por parte das autoridades sanitárias.
Desde o início deste ano, milhares de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave já foram registradas no país. Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância das medidas de prevenção para reduzir o risco de contágio e evitar complicações mais severas da doença.
A pesquisadora Tatiana Portella, integrante do Programa de Computação Científica da Fiocruz e do Boletim InfoGripe, recomenda a adoção de cuidados simples, como higienizar frequentemente as mãos, utilizar máscaras em unidades de saúde e em locais com aglomeração e pouca circulação de ar, além de permanecer em isolamento quando houver sintomas gripais.
Segundo a especialista, quando o isolamento não for possível, o uso de máscaras de alta proteção ajuda a reduzir a transmissão dos vírus. Ela também destaca a importância da vacinação dos grupos prioritários contra influenza e vírus sincicial respiratório, medida considerada fundamental para diminuir o risco de hospitalização e óbitos.
Os dados laboratoriais mostram ainda que o aumento dos casos em crianças de até quatro anos tem sido impulsionado principalmente pelo vírus sincicial respiratório. Entre crianças maiores e adolescentes, o rinovírus segue predominante. Já entre jovens, adultos e idosos, a influenza A lidera os registros recentes, enquanto a influenza B apresenta crescimento em diferentes faixas etárias.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

