A economia brasileira deve apresentar desaceleração em 2025 e encerrar o período com crescimento de 2,3%, segundo projeção divulgada pela Federação das Indústrias de Minas Gerais. O balanço anual e as perspectivas econômicas foram apresentados nesta quinta-feira, em Belo Horizonte, durante encontro com jornalistas na sede da entidade. Em 2024, o Produto Interno Bruto do país registrou expansão de 3,4%, o que reforça a expectativa de ritmo mais moderado no próximo ano.
De acordo com a FIEMG, a perda de fôlego da atividade econômica está relacionada principalmente aos efeitos da política monetária contracionista, que impacta de forma mais intensa os setores cíclicos, como serviços e indústria de transformação. A manutenção de juros elevados tende a restringir investimentos e consumo, afetando o desempenho geral da economia.
Para o presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, o cenário atual também reflete limites de um modelo de crescimento baseado no aumento de gastos públicos e no estímulo ao consumo. “Há um esgotamento de uma estratégia de crescimento claramente retrógrada, ainda muito apoiada em aumentos de gastos públicos e em políticas de transferência de renda com foco predominantemente no consumo”, avaliou.
Segundo Roscoe, o Brasil vive um momento decisivo. “Estamos no limiar entre dois caminhos. De um lado, a possibilidade de avançar em uma modernização estrutural da economia, capaz de sustentar o desenvolvimento econômico e social. De outro, o risco de permanecer em um cenário de baixo crescimento e de bem-estar limitado”, alertou.
No caso de Minas Gerais, a projeção é de que o PIB estadual cresça 2% em 2025, abaixo dos 3,1% registrados no ano anterior. Apesar da desaceleração, a FIEMG destaca o papel relevante do estado na economia nacional. Para o economista-chefe da entidade, João Gabriel Pio, Minas mantém desempenho consistente. “O estado tem desempenhado um papel de destaque na economia brasileira, com forte capacidade de atração de investimentos e de fortalecimento de sua base industrial”, observou.
Entre 2021 e 2024, o PIB mineiro cresceu, em média, 3,8% ao ano, superando a média nacional de 3,6%. Esse desempenho reforça a avaliação de que a economia estadual possui fundamentos mais sólidos, mesmo diante de um cenário macroeconômico mais restritivo.
As projeções da FIEMG indicam que, em 2026, a atividade econômica deve continuar avançando de forma moderada. “Para 2026, o crescimento tende a permanecer limitado pela manutenção de juros elevados e pelo ambiente de maior risco fiscal. A expectativa é de recuperação gradual da indústria, condicionada à eventual redução da taxa de juros e à retomada dos investimentos produtivos”, afirmou Flávio Roscoe.
O estudo aponta ainda que o PIB industrial de Minas Gerais deve crescer 1,6% em 2025. A indústria de transformação foi destaque até o segundo trimestre deste ano, com expansão de 2,2%, seguida pelos segmentos de energia e saneamento, que cresceram 1,3%. No plano nacional, a FIEMG estima crescimento de 1,5% do PIB industrial no próximo ano.
No mercado de trabalho, o cenário segue positivo. Em 2025, o país consolida a recuperação pós-pandemia, com novos recordes de ocupação. No terceiro trimestre, a taxa de desemprego nacional foi de 5,6%, o menor nível para o período desde o início da série histórica do IBGE, em 2012.
Em Minas Gerais, o desemprego recuou de 5,7% no primeiro trimestre para 4,1% no terceiro trimestre, mantendo o estado em situação mais favorável que a média nacional. Até o terceiro trimestre de 2025, a indústria brasileira, incluindo construção, empregava cerca de 20,8 milhões de trabalhadores, sendo aproximadamente 2,4 milhões em Minas. Para o fechamento do ano, a FIEMG projeta taxa de desemprego de 5,4% no país.
Já a inflação, medida pelo IPCA, deve encerrar 2025 em torno de 4,4%, permanecendo acima do centro da meta, mas em patamar considerado controlável diante do cenário econômico projetado.
Fotos: Sebastião Jacinto Júnior/FIEMG

