Criada no ano em que o Brasil sediou a COP trinta, a Secretaria de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas da Prefeitura de Juiz de Fora apresentou um balanço abrangente das ações desenvolvidas ao longo de dois mil e vinte e cinco, período marcado pela consolidação do meio ambiente como eixo estruturante da gestão municipal. Ao longo do ano, a pauta ambiental deixou de ser tratada de forma setorial e passou a integrar o planejamento estratégico da administração, dialogando diretamente com áreas como desenvolvimento urbano, mobilidade, inovação, saúde, educação e finanças públicas. Essa abordagem transversal permitiu ampliar o alcance das políticas públicas e fortalecer a capacidade do município de responder aos desafios climáticos contemporâneos.

Um dos marcos dessa consolidação foi a coordenação do Grupo de Trabalho Novas Energias, que reuniu diferentes secretarias e instituições para discutir soluções voltadas à transição energética. A agenda de inovação ganhou destaque com a realização do Workshop “Inteligência Aplicada à Gestão de Resíduos e Energias”, que trouxe a Juiz de Fora especialistas nacionais e internacionais para debater tecnologias, modelos de gestão e experiências bem-sucedidas. O evento reforçou o papel do município como espaço de experimentação e troca de conhecimento no campo da sustentabilidade urbana.

Outro avanço relevante ocorreu no projeto de valorização de resíduos sólidos orgânicos, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora e outros órgãos municipais. A iniciativa tem como objetivo a implantação de uma usina de tratamento de resíduos com produção de biometano, combustível renovável capaz de reduzir emissões e gerar ganhos ambientais e econômicos. Nesse contexto, foi realizada a operação assistida de um micro-ônibus movido integralmente a gás natural veicular e biometano, derivado do tratamento de resíduos sólidos urbanos. A experiência permitiu avaliar a viabilidade técnica e ambiental do uso desse combustível alternativo no transporte público municipal.

O compromisso de Juiz de Fora com a agenda climática internacional também foi reafirmado em dois mil e vinte e cinco com a adesão oficial ao ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade. A filiação fortaleceu o alinhamento das políticas locais às metas globais de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Como reconhecimento desse conjunto de ações, o município recebeu o Local Leaders Award, concedido pela Bloomberg Philanthropies em parceria com a rede C40 Cities. O prêmio destacou Juiz de Fora como referência entre governos locais comprometidos com soluções sustentáveis e inovadoras, especialmente na categoria Transição Energética e Edifícios Inteligentes.

Todas as grandes obras do município, financiadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento ou em fase de captação de recursos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, passaram a contar com a participação técnica da Secretaria de Meio Ambiente. Essa atuação garante o correto licenciamento ambiental e a incorporação de soluções sustentáveis desde a fase de planejamento. Estão envolvidas nesse processo as secretarias de Desenvolvimento Urbano com Participação Popular, Desenvolvimento Sustentável e Inclusivo, Inovação e Competitividade, Fazenda, Licitações e Gestão de Contratos, Mobilidade Urbana e Obras, além da Procuradoria Geral do Município, do Departamento Municipal de Limpeza Urbana, da Empresa Municipal de Pavimentação e Urbanidades, da Companhia de Saneamento Municipal e da universidade federal.

Ao longo de dois mil e vinte e cinco, foram emitidas mais de duas mil licenças, autorizações e certificados ambientais, ao mesmo tempo em que se fortaleceu o monitoramento do cumprimento de condicionantes. A Secretaria também avançou no julgamento fiscal de processos ambientais, reduzindo passivos acumulados até dois mil e vinte e quatro. No campo normativo, instrumentos fundamentais para a gestão ambiental foram atualizados, incluindo a revisão de penalidades por infrações e o detalhamento de critérios para intervenções em áreas de preservação permanente, manejo arbóreo e gerenciamento de resíduos de serviços de saúde. Esse trabalho contou com a colaboração do Conselho Municipal do Meio Ambiente e da Procuradoria Geral do Município, ampliando a segurança jurídica e a eficiência administrativa.

A atuação integrada com a Defesa Civil foi intensificada, especialmente no monitoramento de áreas suscetíveis a riscos ambientais, hidrológicos e geotécnicos. O compartilhamento de informações técnicas permitiu acompanhar territórios sensíveis, planejar ações preventivas e apoiar estratégias de redução de riscos e adaptação às mudanças climáticas, com foco na proteção da população.

Na preservação ambiental, houve avanços na gestão das unidades de conservação e na proteção dos mananciais. O Parque Natural Municipal da Lajinha manteve-se como espaço de referência para o contato com a natureza, recebendo mais de sessenta mil visitantes ao longo do ano. O lago do parque atua como bacia de retenção de águas pluviais, reduzindo a pressão sobre o córrego Santa Luzia. Também avançaram os planos de manejo do Parque Natural Municipal Poço D’Antas, da Reserva Biológica Santa Cândida e do Parque São Pedro, área estratégica para o abastecimento da Cidade Alta.

O ano marcou ainda o primeiro pagamento por serviços ambientais aos produtores rurais participantes do programa Nossa Água, totalizando quase quinze mil reais. A iniciativa contribui para a recuperação de cerca de quinze hectares nas bacias da represa João Penido, principal manancial de abastecimento do município. Na arborização urbana, foram emitidos mil trezentos e setenta laudos de poda ou corte preventivo em áreas públicas, além do plantio de mil quatrocentas e sessenta árvores pelo programa Cultivar o Futuro. Também foi realizado diagnóstico participativo para o Plano Municipal de Arborização Urbana, com envolvimento da população.

A educação ambiental foi fortalecida com o projeto Guardiões da Mata, que alcançou mais de trezentos estudantes em escolas municipais, e com ações do projeto Recicle, em articulação com o programa Lixo Zero. Como parte da preparação para a COP trinta, Juiz de Fora recebeu o espetáculo “Vozes da Floresta”, protagonizado por Lucélia Santos, em homenagem a Chico Mendes.

Para dois mil e vinte e seis, a Secretaria projeta ampliar ações nas unidades de conservação, recuperar áreas degradadas e concluir instrumentos estratégicos, como o Plano Municipal de Arborização Urbana e o Plano Municipal de Adaptação à Mudança do Clima. Segundo a secretária Aline Junqueira, “Juiz de Fora entra em dois mil e vinte e seis preparada para disputar recursos em um cenário competitivo, com projetos consistentes, capacidade técnica e governança, reunindo condições para seguir transformando a cidade em um território resiliente, vivo e orientado para o futuro”.

Foto: Divulgação 


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