A polarização política segue como traço dominante do cenário brasileiro e alcança a maior parte da população, segundo a mais recente pesquisa do Datafolha. O levantamento indica que o grupo identificado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a superar numericamente os simpatizantes do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Realizada entre 2 e 4 de dezembro, a pesquisa mostra que 74% dos brasileiros se encaixam como petistas ou bolsonaristas. Desse total, 40% se identificam mais com o campo ligado a Lula, enquanto 34% se declaram próximos de Bolsonaro. Outros 18% se posicionaram como neutros, 6% afirmaram não apoiar nenhum dos dois polos e 1% não soube responder. O levantamento ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais, em 113 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Na pesquisa anterior, feita em julho, a polarização atingia 76% dos entrevistados, com petistas e bolsonaristas tecnicamente empatados. Embora as variações estejam dentro da margem de erro, o novo resultado aponta que os petistas voltaram a ser maioria de forma isolada, deixando de lado o empate técnico observado meses atrás.
Desde dezembro de 2022, o Datafolha utiliza uma escala de 1 a 5 para medir o alinhamento político dos entrevistados, em que 1 representa o bolsonarismo e 5 o petismo. Quem escolhe 1 ou 2 é classificado como bolsonarista; 4 ou 5, como petista; e 3, como neutro. Em nove dos 11 levantamentos realizados desde então, os apoiadores de Lula foram maioria.
A pesquisa mais recente foi feita após a prisão e condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Antes disso, o ex-presidente havia sido colocado em prisão domiciliar por descumprimento de medidas cautelares e chegou a ser preso preventivamente após tentar violar a tornozeleira eletrônica.
Lula, por outro lado, aparece à frente nas pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais de 2026, tanto no primeiro quanto no segundo turno.
O levantamento também detalha o perfil dos grupos. O petismo é mais concentrado entre mulheres, aposentados, pessoas com menor escolaridade, moradores do Nordeste e católicos. Já o bolsonarismo predomina entre homens, empresários, pessoas com renda mais elevada, moradores do Sul e evangélicos.
Entre os brasileiros com 60 anos ou mais, a polarização é ainda mais intensa, atingindo 84% desse grupo. O Datafolha aponta ainda que a identificação com esquerda e direita é menor do que a polarização entre Lula e Bolsonaro, reforçando o peso pessoal dos dois líderes na política nacional.
Fonte: Folha de São Paulo
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

