A comissão parlamentar de inquérito que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social encerrou oficialmente as atividades de 2025 no dia 8 de dezembro, deixando como principal compromisso a apresentação de um relatório preliminar no início de 2026. Segundo o presidente da CPI, senador Carlos Viana, o documento deverá passar por um “primeiro balanço” em fevereiro, quando os parlamentares pretendem avaliar o material já reunido e definir os próximos passos da investigação.

O senador tem defendido publicamente a necessidade de prorrogar os trabalhos da comissão por mais sessenta dias. Na avaliação dele, o prazo atualmente previsto, que se estende até março de 2026, é insuficiente para a análise detalhada do grande volume de documentos recebidos e para a oitiva de todos os depoentes considerados relevantes. Viana informou que pretende iniciar ainda neste mês a coleta de assinaturas para formalizar o pedido de extensão do prazo junto à presidência do Senado.

“Diante da dimensão nacional e da profundidade desse esquema, afirmo que é absolutamente indispensável a prorrogação da CPMI por mais 60 dias. Somente assim será possível aprofundar as apurações, rastrear patrimônio oculto, identificar todos os responsáveis e garantir justiça plena às vítimas”, declarou o parlamentar em nota divulgada recentemente.

A defesa pela continuidade dos trabalhos ganhou força após a deflagração de uma nova fase da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal. A ação investiga um suposto esquema de descontos indevidos aplicados sobre benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, com prejuízos milionários e alcance nacional. Nessa etapa, foram cumpridos mandados de busca e apreensão envolvendo o senador Weverton Rocha e o então número dois do Ministério da Previdência, Adroaldo Portal, que acabou afastado do cargo e submetido à prisão domiciliar.

Os investigadores chegaram a solicitar a prisão do senador, apontado como “sustentáculo político” e “sócio oculto” da organização criminosa. O pedido, no entanto, foi negado pelo ministro André Mendonça, responsável pelo inquérito no Supremo Tribunal Federal. As apurações também indicaram vínculos próximos entre Weverton Rocha e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, considerado peça central no esquema.

Instalada em agosto do ano passado, a CPI tem como foco principal as irregularidades na celebração e na fiscalização de convênios que permitiram descontos não autorizados em benefícios previdenciários. Ao longo de 2025, a comissão realizou 28 reuniões e ouviu 26 testemunhas, incluindo dois ex-ministros da Previdência, Carlos Lupi e Onyx Lorenzoni.

No mês passado, Carlos Viana adiantou parte das conclusões que devem constar no relatório final. Entre os dados destacados estão a análise de cerca de 4.800 documentos e a identificação de 108 empresas suspeitas de envolvimento nas fraudes. O presidente da CPI também afirmou que solicitará ao Supremo a suspensão imediata de quase dois milhões de contratos de empréstimo consignado considerados suspeitos de irregularidades.

Foto: Carlos Moura/Agência Senado


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