A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou que a saúde e a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro estão “nas mãos” da Procuradoria-Geral da República, após decisões relacionadas ao atendimento médico do marido enquanto ele permanece preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A declaração foi feita depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, negar um pedido da defesa para que Bolsonaro fosse levado imediatamente a um hospital.
Segundo Moraes, o relatório médico elaborado pela Polícia Federal não indicou urgência clínica que justificasse a remoção hospitalar naquele momento. O documento apontou que o ex-presidente estava consciente, orientado e sem sinais de déficit neurológico após a queda sofrida dentro da unidade prisional. Mesmo assim, a defesa insistiu na necessidade de exames mais aprofundados.
Michelle relatou que a família chegou a se deslocar até o hospital, onde aguardou por cerca de três horas no estacionamento, à espera da autorização judicial. “Nós fizemos novamente o pedido de exames, eu estava no hospital aguardando ele. Ficamos quase três horas no estacionamento e retornamos para a Polícia Federal, quando vimos que o ministro encaminhou a petição para a PGR. Então a saúde e a vida do meu marido estão nas mãos da PGR”, afirmou.
Após a negativa inicial, os advogados de Bolsonaro protocolaram um novo pedido solicitando a realização de tomografia computadorizada, ressonância magnética do crânio e eletroencefalograma, exame utilizado para avaliar a atividade elétrica do cérebro. Diante da solicitação, Moraes determinou a intimação da Procuradoria-Geral da República para que se manifeste sobre a necessidade dos exames.
Michelle também questionou a falta de autonomia da Polícia Federal para decidir pela remoção médica. “A gente não sabe por quanto tempo ele esteve desacordado e ele não sabe explicar. Então a gente não sabe o que está acontecendo. A PF não tem autonomia para tirar uma pessoa que sofreu um acidente, que bateu com a cabeça em um móvel. A gente está esperando o excelentíssimo ministro Alexandre de Moraes liberar”, disse.
Além das críticas, a ex-primeira-dama informou que solicitou formalmente à Polícia Federal a elaboração de um relatório detalhado, com registros sobre o momento em que a cela foi aberta e todos os procedimentos adotados a partir desse horário, como forma de documentar as circunstâncias do ocorrido e acompanhar as decisões médicas e judiciais relacionadas ao caso.
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

