A Procuradoria-Geral da República solicitou ao Supremo Tribunal Federal o arquivamento parcial do inquérito que apura a conduta do senador Chico Rodrigues (PSB-RR), investigado por suspeitas de desvio de recursos públicos durante a pandemia da covid-19 em Roraima. O parlamentar ficou nacionalmente conhecido após ser flagrado com dinheiro escondido na cueca durante uma operação da Polícia Federal realizada em outubro de 2020, em Boa Vista.
No pedido encaminhado ao STF, a PGR sustenta que as diligências realizadas ao longo da investigação não produziram elementos suficientes para sustentar a acusação de tentativa de ocultação de valores atribuída ao senador. Segundo o procurador-geral Paulo Gonet, a linha inicial que vinculava Chico Rodrigues aos fatos investigados, baseada na autoria de emendas parlamentares relacionadas às contratações sob suspeita, “não se sustenta à luz do desenvolvimento das diligências”. Para a PGR, não há indícios mínimos capazes de comprovar que o parlamentar tenha atuado para esconder valores durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão em sua residência.
O parecer afirma de forma expressa que “o arquivamento parcial deve abranger a tentativa de ocultação de valores atribuída ao senador Francisco de Assis Rodrigues durante o cumprimento de busca domiciliar”. A manifestação será analisada pelo ministro Flávio Dino, relator do inquérito no Supremo. Procurado, o senador informou que vai aguardar a decisão da Corte para se manifestar publicamente sobre o pedido de arquivamento.
Com trajetória política iniciada ainda na década de 1980, Chico Rodrigues construiu uma carreira marcada por passagens longas pelo Legislativo federal. Foram cerca de 20 anos consecutivos como deputado federal, além de um período em que chegou a assumir o governo de Roraima, mandato que acabou sendo cassado. No plano nacional, foi vice-líder do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e manteve em seu gabinete o assessor parlamentar Léo Índio, primo dos filhos do então presidente.
A investigação teve origem em apurações sobre supostos desvios de recursos públicos destinados ao enfrentamento da pandemia de covid-19, provenientes de emendas parlamentares. Durante a operação, autorizada pelo ministro Luís Roberto Barroso, a Polícia Federal encontrou valores em espécie na residência do senador. À época, foram apreendidos R$ 33.150 escondidos na roupa íntima do parlamentar, além de R$ 10 mil e US$ 6 mil guardados em um cofre.
Em agosto de 2021, a PF chegou a pedir o indiciamento de Chico Rodrigues, atribuindo-lhe crimes como peculato, advocacia administrativa, dispensa e fraude à licitação, lavagem de dinheiro e embaraço à investigação. Com o novo posicionamento da PGR, parte dessas suspeitas pode ser encerrada, embora outras linhas de apuração ainda possam seguir em análise no Supremo Tribunal Federal.
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

