O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou nesta sexta-feira que a aprovação do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul representa um marco para a política comercial do bloco. Segundo ele, a decisão demonstra soberania estratégica e capacidade de ação conjunta, após mais de vinte e cinco anos de negociações consideradas excessivamente longas.
Em declaração após a reunião dos embaixadores europeus, Merz destacou que uma maioria qualificada dos vinte e sete Estados-membros deu aval ao tratado, permitindo o avanço formal do processo. Para o chanceler, “é fundamental concluir rapidamente os próximos acordos de livre comércio”, a fim de fortalecer a presença europeia em mercados globais cada vez mais competitivos.
O ministro das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil, também celebrou o entendimento e afirmou que o acordo envia um sinal claro em defesa do multilateralismo. Em comunicado, ele declarou que “enquanto outros países se fecham e adotam políticas comerciais agressivas, a Europa aposta em novas parcerias”.
A Alemanha figura entre as principais defensoras do acordo, avaliando que o pacto poderá abrir novos mercados para sua economia, fortemente dependente das exportações. O governo alemão vê o tratado como instrumento relevante para estimular o crescimento econômico após um período prolongado de estagnação e incertezas externas.
Representantes da indústria receberam a aprovação de forma positiva. A associação da indústria automobilística alemã classificou o acordo como “uma notícia muito positiva” para o setor. Segundo a entidade, a redução de tarifas pode ampliar significativamente as exportações de veículos e componentes.
Atualmente, peças automotivas exportadas ao Mercosul enfrentam tarifas elevadas, enquanto automóveis de passeio chegam a taxas expressivas, o que limita a competitividade europeia. A expectativa é de que o acordo reduza esses obstáculos gradualmente.
A federação da indústria química alemã também comemorou o avanço. Para seus dirigentes, “a Europa envia um sinal forte em tempos difíceis”, ao demonstrar disposição de influenciar o futuro do comércio internacional, em vez de apenas reagir aos movimentos globais atuais.
Foto: John Thys

