O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, saiu em defesa de Ricardo Lewandowski após o ex-ministro da Justiça deixar o cargo e se tornar alvo de ataques de setores da direita. Em publicação nas redes sociais, o magistrado afirmou que a gestão do antigo colega foi marcada por ações estruturadas contra o crime organizado e por iniciativas voltadas à coordenação entre instituições de segurança.

“a atuação de Ricardo Lewandowski à frente do Ministério da Justiça foi orientada por planejamento, inteligência policial e cooperação federativa, com respeito ao Estado de Direito”, escreveu Gilmar. Segundo ele, a estratégia buscou fortalecer a capacidade do poder público de enfrentar organizações criminosas de forma permanente e integrada, evitando soluções improvisadas ou discursos de ocasião.

O ministro do STF também citou o trabalho desenvolvido pela Polícia Federal durante a gestão de Lewandowski. De acordo com Mendes, investigações relevantes avançaram no período, especialmente aquelas voltadas ao combate à lavagem de dinheiro de facções criminosas. Ele mencionou operações como Tank, Quasar e Carbono Oculto, apontadas como exemplos de atuação coordenada e técnica das forças federais.

Na avaliação de Gilmar, outro marco da passagem de Lewandowski pelo Ministério da Justiça foi a apresentação da Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública e do projeto de lei antifacção. Para o ministro, as medidas representaram “iniciativas voltadas ao fortalecimento da coordenação federativa e ao aprimoramento dos instrumentos de combate ao crime organizado”, ainda que tenham enfrentado resistência política no Congresso.

Além de Gilmar Mendes, outras autoridades também se manifestaram em defesa do ex-ministro. O advogado-geral da União, Jorge Messias, elogiou a trajetória de Lewandowski à frente da pasta e destacou seu compromisso institucional. “sua atuação foi marcada por ética, transparência e defesa dos direitos fundamentais, com atenção especial aos mais vulneráveis”, escreveu.

As críticas, no entanto, vieram de diferentes frentes. O vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth, que exerce interinamente o comando do estado durante as férias de Tarcísio de Freitas, classificou a saída de Lewandowski como “boa notícia”. Em declaração pública, afirmou que a proposta de segurança apresentada pelo então ministro era inócua e retirava atribuições dos governadores.

Parlamentares e partidos de oposição também atacaram o ex-ministro. O Partido Novo afirmou que Lewandowski deixa “um país mais injusto do que quando assumiu”. Já a deputada Júlia Zanatta escreveu que o ex-ministro sai sem entregar resultados e com o crime organizado mais forte, ousado e armado no país.

O debate expôs a polarização em torno da política de segurança pública e da atuação federal. Enquanto aliados ressaltam planejamento e institucionalidade, críticos cobram resultados imediatos. A saída de Lewandowski reacendeu disputas políticas e antecipou embates sobre rumos do combate ao crime organizado.

Foto: Gustavo Moreno/STF


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