O vereador licenciado do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro afirmou neste domingo, onze, que médicos precisaram ser acionados para atender o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso em Brasília. Segundo ele, o estado de saúde do pai apresentou piora nos últimos dias, com sintomas que estariam comprometendo alimentação, sono e equilíbrio emocional do ex-mandatário, atualmente detido na sede da Polícia Federal.
Em publicação em rede social, Carlos relatou que o médico responsável pelo acompanhamento de Bolsonaro foi chamado após a família ser informada sobre o agravamento de um quadro clínico persistente. “O médico do meu pai foi chamado hoje à prisão após sermos informados de que suas crises persistentes de soluços evoluíram para um quadro de azia constante, o que o impede de se alimentar adequadamente e de dormir”, escreveu. Ele acrescentou que o ex-presidente apresenta sinais de sofrimento emocional. “É perceptível, ainda, o grave abalo psicológico que sofre, agravado pelo fato de permanecer sozinho na solitária”, afirmou.
Além do relato sobre a saúde, Carlos Bolsonaro informou que a defesa do ex-presidente protocolou um novo pedido de prisão domiciliar junto ao Supremo Tribunal Federal. De acordo com ele, até o momento o requerimento não havia sido analisado. “O pedido até o presente momento, lamentavelmente, não foi apreciado”, declarou, ao demonstrar insatisfação com a demora na apreciação do caso.
Jair Bolsonaro cumpre pena em cela localizada na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A imprensa procurou a assessoria de comunicação da PF para obter informações oficiais sobre o estado de saúde do ex-presidente, mas não houve resposta até a última atualização. O órgão, tradicionalmente, não divulga detalhes médicos de pessoas custodiadas.
Na semana anterior, Bolsonaro deixou temporariamente a prisão para receber atendimento médico após sofrer uma queda dentro das instalações da Polícia Federal. Ele passou por exames clínicos e de imagem e retornou à custódia poucas horas depois. O médico Brasil Caiado, que acompanha o ex-presidente, informou que o episódio resultou em um traumatismo craniano leve, sem necessidade de intervenção cirúrgica imediata.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também se manifestou publicamente sobre a situação do marido. Em postagem feita dois dias antes, ela afirmou que Bolsonaro “está com perda de equilíbrio ao se levantar, em decorrência de medicamentos” e classificou o tratamento recebido como “maldade”. Michelle comparou os atuais procedimentos de custódia com períodos anteriores. “Quando a segurança era feita apenas pela Polícia Federal, a porta permanecia aberta. Agora, com a Polícia Penal Federal, isso não é mais possível”, escreveu.
O ex-presidente enfrenta problemas de saúde recorrentes desde que sofreu uma facada durante a campanha eleitoral de dois mil e dezoito. As sequelas do atentado resultaram em diversas internações e procedimentos médicos ao longo dos últimos anos, especialmente relacionados ao sistema digestivo e ao trato intestinal.
No fim do ano passado, já preso, Bolsonaro foi submetido a uma cirurgia para correção de hérnia. Dias depois, ainda durante a mesma internação hospitalar, passou por outro procedimento médico com o objetivo de tentar controlar crises frequentes de soluços, que voltaram a se manifestar recentemente, segundo seus familiares.
Em abril de dois mil e vinte e cinco, o ex-presidente foi submetido a uma operação de grande porte, com duração aproximada de doze horas, destinada à desobstrução intestinal. A cirurgia foi considerada complexa e exigiu acompanhamento médico prolongado no período pós-operatório.
Bolsonaro foi condenado a vinte e sete anos e três meses de prisão no processo que apurou a tentativa de golpe de Estado. O julgamento foi concluído em setembro pela Primeira Turma do STF, que o considerou culpado pelos crimes de golpe de Estado, abolição do Estado democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado.
Segundo a decisão, o ex-presidente foi apontado como líder do movimento que contestou o resultado da eleição presidencial de dois mil e vinte e dois, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva, e que culminou nos ataques às sedes dos Três Poderes em oito de janeiro de dois mil e vinte e três.
Antes de iniciar o cumprimento da pena em regime fechado, Bolsonaro estava em prisão domiciliar desde quatro de agosto. No fim de novembro, tentou romper a tornozeleira eletrônica que o monitorava, o que levou o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, a decretar sua prisão preventiva. Dias depois, ele passou a cumprir a pena definitiva.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

