A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira a nona fase da Operação Overclean, que investiga um esquema de desvio de emendas parlamentares e lavagem de dinheiro. Entre os alvos da ação está o deputado federal Félix Mendonça Júnior, do PDT da Bahia, contra quem foi cumprido mandado de busca e apreensão no apartamento funcional que ocupa em Brasília.
A ofensiva policial conta com o apoio da Controladoria-Geral da União e da Receita Federal. Ao todo, nove mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em endereços localizados na Bahia e no Distrito Federal, todos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal. Por determinação da Corte, também foi autorizado o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas, com o objetivo de preservar recursos para eventual ressarcimento aos cofres públicos.
A Operação Overclean já havia avançado sobre nomes ligados a diferentes partidos em fases anteriores. Em outubro, durante a oitava etapa da investigação, um dos alvos foi o secretário nacional do Podemos, Luiz França. Na ocasião, o partido divulgou nota afirmando não ter relação com o esquema investigado e declarou apoio às apurações. “Pelas informações obtidas até o momento, a ação diz respeito à atuação profissional de Luiz França como advogado, no exercício de sua consultoria jurídica”, informou a legenda.
Ainda no mesmo mês, a Polícia Federal cumpriu mandado contra o deputado federal Dal Barreto, do União Brasil da Bahia. Em fases anteriores da operação, também foram alvos o prefeito de Campo Formoso, Elmo Nascimento, irmão do deputado federal Elmar Nascimento, e o primo dele, Francisco Manoel do Nascimento Neto, conhecido como Francisquinho Nascimento, eleito vereador do município em 2024. Elmar Nascimento não foi alvo das investigações.
Segundo estimativas da Polícia Federal, a organização criminosa investigada pode ter movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão por meio de contratos fraudulentos e obras superfaturadas. Outro nome central no esquema é o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, que também figura entre os alvos da operação.
A investigação teve início a partir de suspeitas de desvios de recursos de emendas parlamentares destinadas ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas. As apurações apontam que o grupo atuava para direcionar contratos públicos, com o pagamento de propina a agentes públicos e o uso de empresas de fachada para viabilizar os esquemas.
José Marcos de Moura ganhou o apelido de “Rei do Lixo” em razão de contratos firmados na área de limpeza urbana na Bahia. Ele chegou a ser preso preventivamente junto com outras dezesseis pessoas na primeira fase da Operação Overclean, mas acabou sendo solto posteriormente por decisão do Tribunal Regional Federal da Primeira Região. De acordo com a Polícia Federal, o empresário atuava com
“articulador político e operador de influência” dentro da organização criminosa, facilitando o acesso a contratos públicos em diferentes regiões do país.
Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

