Escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para substituir Ricardo Lewandowski, Wellington César Lima e Silva assume o Ministério da Justiça em um dos momentos mais sensíveis do atual governo. À frente da pasta em ano pré-eleitoral, o novo ministro terá a missão de conduzir uma área considerada estratégica para o projeto de reeleição do presidente, marcada por entraves políticos, disputas federativas e dificuldades de comunicação com a sociedade.
Entre as prioridades imediatas está a tentativa de destravar a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública, que amplia a participação da União na coordenação do setor. O texto tramita no Congresso desde abril do ano passado e sofreu alterações feitas pelo relator, deputado Mendonça Filho, que desagradaram o Palácio do Planalto e colocaram em risco a continuidade do debate. Caberá a Wellington buscar um ponto de equilíbrio que permita avançar com a proposta sem descaracterizar seus objetivos centrais.
Para isso, o novo ministro terá de liderar uma articulação política complexa, que passa necessariamente pela aproximação com partidos de oposição. Outro foco de tensão é o Projeto de Lei Antifacção, que retornou à Câmara após mudanças feitas no Senado. As alterações aprofundaram o desgaste entre o governo e o presidente da Casa, Hugo Motta, ampliando o grau de dificuldade para a condução da agenda legislativa na área da segurança.
Além do Congresso, Wellington precisará lidar com resistências dos governadores, especialmente daqueles alinhados à direita, que veem a PEC como uma ameaça à autonomia dos estados. O desafio será reduzir essas desconfianças e construir um discurso capaz de convencer os chefes dos Executivos estaduais de que a proposta não retira poder, mas busca coordenação e integração de políticas públicas.
Internamente, a cobrança por resultados concretos tende a aumentar. A segurança pública deverá ser um dos principais temas explorados pela oposição na disputa eleitoral, explorando a sensação de insegurança vivida por parte da população. No governo, ainda não há consenso sobre o tom a ser adotado, mas Lula está convencido de que precisará apresentar entregas visíveis para dialogar com eleitores indecisos. Segundo aliados, “não dá mais para tratar a segurança apenas como um tema técnico”.
Wellington também terá de administrar as tensões herdadas da gestão anterior entre o Ministério da Justiça e o Palácio do Planalto, agravadas pela lentidão da Casa Civil na análise da PEC. Nesse ponto, ele chega com uma vantagem: já trabalhou diretamente com o ministro Rui Costa quando ocupou a Secretaria de Assuntos Jurídicos da Presidência, entre janeiro de 2023 e agosto de 2024, relação que pode facilitar o fluxo interno de decisões.
Embora não tenha o peso político de Lewandowski, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Wellington goza da confiança pessoal de Lula. No Planalto, a avaliação é de que ele “cumpriu missão” ao atuar como advogado-geral da Petrobras, função assumida após deixar a Secretaria de Assuntos Jurídicos. Sua ida para a estatal, no início da gestão de Magda Chambriard, foi vista como estratégica para evitar conflitos jurídicos e novos desgastes políticos, como os ocorridos na saída de Jean Paul Prates.
A gestão de Magda é bem avaliada pelos auxiliares mais próximos de Lula, e a atuação de Wellington nesse período reforçou sua imagem de quadro técnico confiável. Agora, no comando do Ministério da Justiça, ele terá de transformar essa credibilidade em capacidade política, conciliando interesses divergentes, entregando resultados e ajudando a construir uma vitrine na área da segurança pública em um cenário de forte polarização eleitoral.
Foto: Ricardo Stuckert/PR

