O senador Flávio Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira que sua candidatura à Presidência da República está definida e não sofrerá recuos, após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração ocorreu depois de publicações da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e de um comentário feito por Cristiane Freitas, mulher do governador paulista Tarcísio de Freitas, que reacenderam especulações sobre a sucessão presidencial no campo bolsonarista.

“As pesquisas mostram um crescimento rápido e consolidado, e não vai ter outra possibilidade de candidatura. A minha candidatura não tem volta. Tenho certeza que, em algum momento, todos estarão mais efusivamente na campanha. Não vou ficar cobrando ninguém. Estou fazendo minha parte, que é pregar união. Não falei com Michelle nos últimos dois dias. Sigo pela união, não sou burro para cair nessa pegadinha”, afirmou o senador.

Flávio Bolsonaro busca se consolidar como pré-candidato e tem defendido, junto a aliados, que a direita evite divisões prematuras antes da definição formal de quem ocupará o espaço político deixado por seu pai, atualmente preso na Polícia Federal. No entendimento do senador, a fragmentação antecipada pode enfraquecer o campo conservador e comprometer a competitividade eleitoral em 2026.

No Partido Liberal, a avaliação é que Flávio tenta equilibrar duas estratégias simultâneas. De um lado, preservar Jair Bolsonaro como principal referência simbólica do movimento, mantendo sua liderança política e influência sobre a base. De outro, ampliar sua própria projeção nacional, com viagens, declarações públicas e articulações, de modo a sustentar um projeto presidencial próprio.

As movimentações recentes ganharam novo contorno após Michelle Bolsonaro publicar em suas redes sociais um vídeo de Tarcísio de Freitas, gesto interpretado por parte da militância como incentivo indireto ao nome do governador para a disputa presidencial. O episódio gerou desconforto entre aliados de Flávio, que veem na consolidação de Tarcísio um potencial obstáculo ao projeto do senador.

O ruído aumentou com a repercussão de um comentário feito por Cristiane Freitas em uma postagem do marido, no qual afirmou que “o Brasil precisa de um novo CEO”. A manifestação, curtida por Michelle, foi recebida por setores do bolsonarismo como sinalização eleitoral explícita. Diante da reação negativa, a ex-primeira-dama saiu em defesa de Cristiane, argumentando que não se tratava de indicação de candidatura e reiterando a centralidade de Jair Bolsonaro no grupo.

Pesquisa da Quaest indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera todos os cenários, mas aponta crescimento de Flávio, que varia entre 23% e 32% das intenções de voto no primeiro turno. “Acho que o resultado não reflete totalmente a realidade. Não existe essa distância toda até o Lula no nosso acompanhamento. Isso pouco importa. Vou continuar defendendo as bandeiras do caminho da prosperidade”, concluiu o senador.

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado


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