O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se na tarde de quinta-feira com os três comandantes das Forças Armadas para discutir o cenário internacional após a crise na Venezuela e os impactos para a segurança brasileira. O encontro ocorreu no Palácio do Planalto e contou também com a presença do ministro da Defesa, José Múcio, estendendo-se por quase duas horas de conversas reservadas.
Embora a reunião não tenha sido convocada exclusivamente para tratar da situação venezuelana, o tema ocupou parte central do diálogo. Os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica apresentaram ao presidente avaliações sobre a nova conjuntura geopolítica e apontaram necessidades consideradas urgentes para fortalecer a capacidade de defesa do país diante de possíveis riscos regionais.
Durante a conversa, o comandante do Exército, general Tomás Paiva, destacou vulnerabilidades estruturais que exigem atenção imediata. Entre os pontos levantados estão a necessidade de reforço do sistema de defesa antiaérea, a ampliação do uso de drones para vigilância e monitoramento e a modernização da frota de helicópteros utilizados pelas Forças Armadas.
Analistas avaliam que a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, no início de janeiro, sinalizou uma mudança relevante na ordem global. Em entrevista recente, José Múcio afirmou que havia a percepção de que o respeito ao direito internacional seria suficiente para garantir segurança, visão que, segundo ele, foi abalada pelos acontecimentos recentes.
A preocupação também se reflete na opinião pública. Pesquisa divulgada nesta semana apontou que mais da metade dos brasileiros teme que o país possa enfrentar situação semelhante à vivida pela Venezuela. Esse ambiente de apreensão reforçou a importância do debate entre o presidente e a cúpula militar.
O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Celso Amorim, participou do encontro e contribuiu com análises sobre o contexto diplomático e regional. Desde o início da crise, o governo acompanha com atenção os desdobramentos políticos e militares no norte da América do Sul.
Após os eventos na Venezuela, as Forças Armadas intensificaram o monitoramento da fronteira brasileira em Roraima. O Ministério da Defesa informou que cerca de dez mil militares permanecem na região, posicionados desde o período em que a Venezuela passou a ameaçar a Guiana pela área de Essequibo.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

