Um aliado próximo do ex-presidente Michel Temer articula a possibilidade de lançá-lo como candidato à Presidência da República nas eleições de 2026, com o objetivo de oferecer uma alternativa à atual polarização política. A iniciativa foi revelada pelo ex-ministro da Secretaria de Governo Carlos Marun, em declaração publicada na coluna Painel, da Folha de S.Paulo.
Segundo Marun, a intenção é procurar Temer ainda nesta semana para apresentar a proposta e discutir a viabilidade de uma eventual candidatura. O ex-ministro afirmou que a articulação nasce de uma insatisfação pessoal com o cenário eleitoral projetado até o momento, no qual não se sente representado nem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nem pelo senador Flávio Bolsonaro, apontado como possível nome do bolsonarismo para a disputa presidencial.
Marun declarou que não pretende apoiar Lula por considerar que o atual presidente mantém uma postura hostil em relação a Temer e ao grupo político que integrou o governo federal após o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016. Para ele, esse ambiente inviabiliza qualquer aproximação com o Palácio do Planalto.
O ex-ministro também fez críticas ao campo bolsonarista. Disse não se identificar com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e citou como exemplo a viagem do senador a Israel, realizada no início das articulações eleitorais. Descendente de libaneses, Marun afirmou ter posições críticas em relação ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, o que, segundo ele, amplia seu distanciamento do discurso adotado por setores da direita.
Na avaliação de Marun, uma eventual candidatura de Michel Temer poderia recolocar o centro político no debate nacional e oferecer uma saída para eleitores que rejeitam a polarização entre lulismo e bolsonarismo. Ele elogiou nomes como os governadores Ratinho Junior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, mas avaliou que o MDB reúne melhores condições para liderar um projeto de centro.
O ex-ministro afirmou ainda que pretende procurar o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, para discutir os impactos da iniciativa na coesão interna do partido, atualmente dividido entre alas alinhadas ao governo Lula e setores próximos ao bolsonarismo.
Foto: Reprodução

