O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito da Polícia Federal para apurar a atuação de influenciadores digitais envolvidos em campanhas nas redes sociais em defesa do Banco Master e na realização de ataques virtuais direcionados ao Banco Central e a outras autoridades públicas. As investigações estão relacionadas aos desdobramentos do chamado Caso Master, que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro.
A apuração ficará sob a competência do STF enquanto o conjunto de inquéritos que investigam suspeitas envolvendo o Banco Master permanecer sob a relatoria de Toffoli. Segundo a Polícia Federal, uma análise preliminar identificou indícios da existência de uma campanha difamatória coordenada contra o Banco Central, com ataques virtuais sistemáticos e conteúdos questionando a credibilidade da autoridade monetária.
Em petição encaminhada ao Supremo, a defesa de Daniel Vorcaro se antecipou e negou qualquer envolvimento do empresário ou de pessoas ligadas a ele com as ações nas redes sociais. Os advogados sustentam que o banqueiro não participou, nem financiou, campanhas digitais contra o Banco Central ou outras instituições.
No fim do ano passado, diversas contas de influenciadores passaram a publicar conteúdos que colocavam em dúvida a atuação do Banco Central no processo que resultou na liquidação do Banco Master. Reportagens apontaram que parte desses influenciadores não possui histórico ou atuação ligada ao setor financeiro, o que levantou suspeitas sobre a motivação e a coordenação das postagens.
O episódio ganhou maior visibilidade após a divulgação de um vídeo do vereador Rony Gabriel, do PL do Rio Grande do Sul, que afirmou ter recebido uma proposta denominada “projeto DV”, referência às iniciais de Daniel Vorcaro. Segundo o parlamentar, a proposta previa a produção de vídeos para redes sociais com o objetivo de “dizer que o Banco Master era uma vítima do Banco Central”.
Um levantamento realizado pela Federação Brasileira de Bancos, a Febraban, para monitorar sua imagem nas redes sociais acabou identificando um ataque coordenado às instituições financeiras e reguladoras. De acordo com o estudo, a ofensiva digital se concentrou em um intervalo de aproximadamente 36 horas, no fim de 2025, com forte disseminação de mensagens semelhantes.
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro do ano passado. A decisão foi assinada pelo presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, e encerrou um período de rápido crescimento da instituição financeira. Segundo as investigações, esse crescimento se baseou na captação de recursos com juros acima da média do mercado e na aquisição de ativos de baixa liquidez.
As apurações sobre crimes de gestão fraudulenta indicam que o banco teria explorado vulnerabilidades do mercado de capitais para desviar recursos ao patrimônio pessoal de Vorcaro e de familiares. De acordo com a investigação, os desvios somariam cerca de R$ 5,7 bilhões.
Foto: Victor Piemonte/STF

