Com a liquidação de instituições financeiras pelo Banco Central desde o fim de 2025, notícias e rumores sobre a saúde de bancos passaram a circular com mais frequência. Muitas dessas informações, no entanto, não são corretas e podem provocar pânico desnecessário entre correntistas e investidores. Saber diferenciar alertas reais de desinformação tornou-se essencial para proteger o dinheiro e tomar decisões financeiras mais seguras.
Especialistas recomendam cautela diante de notícias alarmistas. Antes de agir por medo, é fundamental consultar fontes oficiais, analisar indicadores públicos e desconfiar de promessas de rentabilidade fora do padrão. “A informação de qualidade continua sendo a melhor defesa contra boatos e prejuízos”, avaliam técnicos do setor financeiro.
O primeiro passo para avaliar a situação de um banco é verificar se ele é autorizado e supervisionado pelo Banco Central. Essa consulta pode ser feita no site da instituição, no caminho Meu BC, Serviços, Encontre uma instituição. Bancos não autorizados não podem operar no Sistema Financeiro Nacional, o que já representa um alerta imediato para o consumidor.
Além disso, existem bases oficiais que concentram informações confiáveis sobre a saúde financeira das instituições. A Central de Demonstrações Financeiras do Sistema Financeiro Nacional, disponível no próprio site do Banco Central, permite acesso a balanços e resultados detalhados. Outra ferramenta é o Banco Data, que organiza dados financeiros de forma visual, usando cores para indicar níveis de risco. Também é obrigatória a existência do site de Relações com Investidores de cada instituição, com informações financeiras e relatórios periódicos.
Essas plataformas permitem analisar indicadores essenciais de solidez. Um dos principais é o Índice de Basileia, que mede a relação entre o capital próprio do banco e os riscos assumidos. No Brasil, o mínimo exigido é onze por cento para instituições em geral e treze por cento para bancos cooperativos. Índices acima de quinze por cento são considerados confortáveis. “Quanto maior o Índice de Basileia, maior a capacidade do banco de absorver perdas”, explicam analistas.
Outro ponto relevante é o lucro líquido recorrente, que indica se a instituição apresenta resultados positivos de forma consistente. A inadimplência da carteira de crédito também deve ser observada, pois percentuais elevados de empréstimos vencidos há mais de noventa dias sinalizam risco. Já o índice de imobilização mostra quanto do capital está preso em ativos fixos, reduzindo a liquidez em momentos de crise.
Os ratings de crédito, atribuídos por agências internacionais, são mais um parâmetro importante. Rebaixamentos sucessivos costumam acender alertas, embora não sejam infalíveis. O caso do Banco Master, por exemplo, mostrou que mesmo instituições com notas elevadas podem enfrentar dificuldades, o que reforça a necessidade de análise ampla.
Para investidores, é indispensável verificar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. O FGC garante até duzentos e cinquenta mil reais por CPF ou CNPJ, com teto global de um milhão de reais a cada quatro anos. Estão cobertos recursos como contas correntes, poupança, CDBs, RDBs, LCIs e LCAs. Em caso de liquidação, o fundo é o caminho para recuperar valores dentro desses limites.
Por outro lado, alguns investimentos não contam com essa proteção. Entre eles estão CRI, CRA, debêntures, letras financeiras específicas, títulos de capitalização e fundos de renda fixa. “O correntista precisa saber que perderá esses valores em caso de quebra da instituição”, alertam especialistas.
Outro cuidado essencial é desconfiar de rentabilidades fora do padrão de mercado. Bancos pequenos costumam oferecer taxas maiores, mas retornos muito elevados quase sempre vêm acompanhados de maior risco. No caso de CDBs, a taxa máxima recomendada gira em torno de cento e quinze por cento do CDI. Ofertas muito acima disso merecem atenção redobrada.
Alguns sinais de alerta ajudam a identificar problemas potenciais, embora não seja possível prever com exatidão uma liquidação. Queda contínua do Índice de Basileia, prejuízos recorrentes, rebaixamentos de rating, investigações e ofertas agressivas de captação são indícios relevantes. A entrada em regimes especiais do Banco Central também deve ser observada.
No caso do Will Bank, recentemente liquidado, o Índice de Basileia chegou a negativo cinco vírgula três por cento em junho de 2024, enquanto o índice de imobilização também estava negativo, mesmo com lucro contábil elevado, o que evidenciava desequilíbrio estrutural.
Para reduzir riscos, especialistas recomendam comparar essas informações com investimentos considerados mais seguros, como o Tesouro Direto, que apresenta o menor risco de crédito do país, e aplicações em grandes bancos, com alta solidez e proteção do FGC.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

