O Tesouro Nacional lançará em março um novo título público voltado à ampliação do acesso da população aos investimentos em renda fixa. Batizado de Tesouro Reserva, o papel será indexado à taxa básica de juros, a Selic, e tem como objetivo atrair novos investidores para o programa Tesouro Direto, segundo informou o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron.

De acordo com Ceron, o lançamento do novo título ocorrerá simultaneamente à estreia de uma nova plataforma do Tesouro Direto, que funcionará de forma contínua. “O Tesouro Reserva vai entrar junto com a nova plataforma do Tesouro Direto, que vai rodar 24×7, ou seja, vai estar disponível 24 horas por dia, nos sete dias da semana”, explicou. Segundo ele, a mudança busca alcançar especialmente parcelas da população que não conseguem investir durante o horário comercial.

Durante evento realizado na B3, em São Paulo, o secretário detalhou que o Tesouro Reserva permitirá aplicações a partir de R$ 1, com vencimento em três anos. Apesar disso, o investidor poderá resgatar o valor aplicado a qualquer momento, sem sofrer descontos ou perdas relacionadas à oscilação de preços no mercado secundário.

Para começar bem, justamente para esse público que quer rentabilidade, mas também quer segurança, estamos lançando o Tesouro Reserva”, afirmou Ceron. Ele ressaltou que o título não terá marcação a mercado. “Ele é uma taxa flutuante, mas sem marcação de mercado. O investidor não terá risco de flutuação no preço e poderá resgatar quando quiser”, acrescentou.

Segundo o secretário, os títulos terão valor de face de R$ 10, mas poderão ser adquiridos de forma fracionada. “A partir de R$ 1 ele poderá fazer uma aplicação”, disse, destacando que a facilidade é essencial para democratizar o acesso aos investimentos públicos e estimular a formação de poupança entre famílias de menor renda.

Atualmente, o Tesouro Direto possui pouco mais de três milhões de investidores ativos. Com a criação do Tesouro Reserva, a expectativa do governo é ampliar significativamente esse número e oferecer uma alternativa simples, segura e transparente, especialmente para quem ainda não investe ou recorre a aplicações inadequadas ao seu perfil.

“Hoje, infelizmente, muitos brasileiros são induzidos a fazer uma aplicação sem fazer uma escolha consciente”, afirmou Ceron. Para ele, oferecer opções claras é fundamental. “Dar a opção para o cidadão poder fazer a sua escolha é um ato de cidadania”, declarou.

O secretário também alertou para os riscos associados a investimentos mal compreendidos. “Estamos vendo problemas com aplicações em ativos de risco, muitas vezes sem que as pessoas soubessem disso”, disse. Segundo ele, o novo título permitirá que o investidor escolha, de forma consciente, entre segurança com rentabilidade ou alternativas de maior risco.

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil


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