A ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou nesta quarta-feira que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não tem como fugir da responsabilidade de participar da eleição em São Paulo. A declaração reforça a pressão interna no governo para que Haddad entre na disputa estadual, após manifestações semelhantes feitas pelos ministros Camilo Santana, da Educação, e Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais.
A fala ocorreu na saída do evento de assinatura do pacto contra o feminicídio, realizado no Palácio do Planalto, com a presença de representantes dos três Poderes. Questionada sobre o cenário eleitoral, Tebet foi direta ao afirmar que a candidatura de Haddad é considerada essencial para a estratégia do governo no maior colégio eleitoral do país.
“Não tem como o ministro Haddad fugir dessa missão. Não dá. O quadro não fecha sem ele. E ele precisa ter essa consciência e acho que tem”, declarou a ministra, ao destacar a importância do titular da Fazenda para a disputa em São Paulo.
Simone Tebet já definiu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que pretende concorrer ao Senado pelo estado de São Paulo. Publicamente, no entanto, ela afirma que se colocou à disposição do presidente para disputar tanto em São Paulo quanto no Mato Grosso do Sul, seu estado de origem. A ministra tem até o dia quatro de abril para transferir o domicílio eleitoral.
Para Tebet, a eleição paulista exige pelo menos dois nomes fortes no campo governista. Segundo ela, a construção de uma chapa competitiva passa necessariamente por lideranças com forte ligação com Lula e histórico político consolidado no estado.
“Não há possibilidade de ter pelo menos uma dupla em São Paulo. Uma andorinha não faz verão”, afirmou a ministra, ao defender uma composição robusta.
Na avaliação de Tebet, os nomes mais competitivos para o governo paulista são Haddad e o vice-presidente Geraldo Alckmin. “Os melhores nomes para o governo de São Paulo, por toda história, por conhecerem o estado e por estarem mais atrelados à própria figura do presidente Lula, são o Haddad, por ser do PT, e o Alckmin, por ser vice”, disse.
Segundo ela, caso o objetivo seja fortalecer a chapa majoritária federal, a presença de ambos na disputa estadual ajudaria a ampliar o desempenho eleitoral. Tebet afirmou ainda que deve ter nova conversa com Lula sobre o tema antes do carnaval e que, neste momento, o presidente mantém diálogo tanto com Haddad quanto com Alckmin.
Para disputar o Senado por São Paulo, Simone Tebet poderá ser obrigada a mudar de partido. Ela recebeu convite do PSB, embora lideranças do PT defendam que a ministra permaneça no MDB.
Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

