A Comissão Parlamentar de Inquérito do INSS cancelou, na manhã desta segunda-feira, a sessão marcada para a tarde após o empresário Paulo Camisotti apresentar atestado médico informando impossibilidade de comparecer à oitiva prevista para ocorrer às quatro horas da tarde. A decisão provocou reação imediata da presidência da comissão, que considerou o episódio um possível movimento para atrasar os trabalhos investigativos.

O cancelamento foi anunciado pelo presidente da CPI, senador Carlos Viana, em publicação nas redes sociais. Segundo ele, a comissão não aceitará expedientes considerados protelatórios nem o uso recorrente de atestados médicos como instrumento para esvaziar ou comprometer o andamento das investigações em curso no Congresso Nacional.

Na manifestação pública, o senador afirmou que a CPI seguirá adotando todas as providências legais e regimentais cabíveis diante de tentativas de obstrução. Entre as medidas possíveis, está a condução coercitiva de convocados que deixarem de comparecer sem justificativa considerada adequada pelos integrantes da comissão parlamentar.

Carlos Viana também declarou que a atuação da CPI continuará sendo conduzida com firmeza e responsabilidade institucional, sempre respeitando as prerrogativas do Congresso Nacional. Ele ressaltou que o objetivo central da investigação é a defesa de aposentados, órfãos e viúvas, apontados como principais vítimas do esquema apurado.

Paulo Camisotti é filho e sócio do empresário Maurício Camisotti, preso sob suspeita de participação em um esquema de descontos indevidos aplicados sobre benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social. O empresário é proprietário da Rede Mais Saúde, empresa citada nas investigações como uma das principais beneficiárias dos recursos movimentados por entidades sob suspeita.

Entre essas entidades está a Associação de Moradia Beneficente de Cidadania, apontada como um dos núcleos centrais do esquema investigado pela CPI. Segundo os parlamentares, a apuração busca esclarecer a legalidade das relações contratuais firmadas e identificar eventuais responsabilidades individuais.

O requerimento de convocação destaca que o depoimento de Camisotti seria fundamental para verificar se houve participação direta de agentes públicos ou políticos na viabilização das operações investigadas, além de dimensionar os prejuízos causados a milhares de beneficiários do INSS em diversos estados.

Antes do cancelamento da sessão, Camisotti havia obtido decisão judicial que lhe garantia o direito de permanecer em silêncio durante eventual depoimento. A medida foi criticada pela presidência da CPI, que reconheceu a garantia constitucional, mas questionou seu uso em investigações de grande impacto social.

Além de Camisotti, estava prevista para esta segunda-feira a oitiva de um deputado estadual do Maranhão, presidente licenciado de uma federação de colônias de pescadores, também apontada como envolvida no esquema. A CPI apura descontos não autorizados que teriam causado prejuízos expressivos a aposentados e pensionistas em todo o país.

Foto: Divulgação


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