O senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal do Rio de Janeiro, e o Partido Social Democrático abriram uma disputa direta pelo apoio do Republicanos e da federação formada por União Brasil e Progressistas na corrida presidencial. Apesar do movimento, as duas estruturas partidárias optaram por adiar qualquer definição, estratégia que permite ampliar o poder de barganha e negociar condições mais favoráveis mais adiante. Paralelamente, esses grupos mantêm diálogo aberto com o governo federal e não descartam apoiar a tentativa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Tanto o Republicanos quanto a federação União Progressistas são vistos como peças centrais pelas duas frentes em disputa. O peso dessas legendas envolve tempo expressivo de propaganda eleitoral, influência relevante no Congresso Nacional e capacidade de organizar palanques estaduais competitivos. A avaliação comum é de que qualquer candidatura presidencial com pretensão real de vitória precisa contar com essas estruturas para reduzir riscos e ampliar capilaridade eleitoral.
No campo bolsonarista, o Partido Liberal, comandado por Valdemar Costa Neto, passou a encampar formalmente o projeto de Flávio após sinalização do ex-presidente Jair Bolsonaro. Esse movimento, porém, encontrou concorrência mais intensa a partir da decisão do PSD de filiar o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, há poucas semanas. A legenda também apresenta como opções presidenciais os governadores Ratinho Junior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, ampliando o leque de alternativas no campo de centro direita.
O fortalecimento de mais de um nome acelerou as articulações. Integrantes do Partido Liberal relatam que emissários de Flávio e de Valdemar intensificaram conversas com dirigentes do Republicanos e da federação nas últimas semanas. O discurso central sustenta que a direita largaria em condições mais competitivas se conseguisse reduzir desde cedo a dispersão de candidaturas, oferecendo previsibilidade tanto para alianças estaduais quanto para a montagem da chapa presidencial.
As conversas incluem acenos sobre composição da chapa como vice e participação em palanques regionais estratégicos. As alianças nos estados também ocupam papel central nas negociações do PSD, especialmente em unidades da federação onde União, Progressistas e Republicanos possuem quadros fortes e eleitorado consolidado.
Em Minas Gerais, por exemplo, o PSD trabalha com a pré-candidatura do vice-governador Mateus Simões e sinaliza à federação e ao Republicanos a possibilidade de espaço na composição majoritária e nas chapas ao Senado. Ao mesmo tempo, o União dialoga com o senador Rodrigo Pacheco, atualmente no PSD, como possível nome para a sucessão estadual, enquanto o Republicanos conta com o senador Cleitinho Azevedo como figura competitiva, ainda sem decisão oficial.
No Paraná, o secretário estadual de Cidades, Guto Silva, é apontado como provável escolhido do PSD, e o partido aposta na força política do governador Ratinho Junior para aproximar as legendas de um eventual acordo. Já no Rio de Janeiro, onde o Republicanos integra a gestão do governador Cláudio Castro, do Partido Liberal, o PSD avalia explorar a fragilidade da base estadual para oferecer espaços na aliança liderada pelo prefeito Eduardo Paes.
O Republicanos aparece como alvo prioritário também por sua ligação com a Igreja Universal e pela forte penetração no eleitorado evangélico. Dirigentes afirmam que o tema ainda está em análise e que qualquer decisão nacional dependerá do desenho das alianças nos estados. No entorno de Flávio, uma das possibilidades consideradas é a escolha de uma mulher para a vice, com aliados defendendo o nome da senadora Damares Alves.
A própria Damares afirma que defende publicamente a presença feminina na chapa e cita a senadora Tereza Cristina, do Progressistas, como alternativa. Ela ressalta que ainda não sabe qual será o posicionamento final de seu partido, mas afirma que seguirá a orientação de Jair Bolsonaro.
Além de ser cortejado pela oposição, o Republicanos mantém espaço relevante no governo federal. A legenda comanda o Ministério de Portos e Aeroportos e abriga quadros que defendem a preservação do diálogo institucional com o Planalto. Dirigentes admitem que dificilmente haverá alinhamento homogêneo neste momento e avaliam liberar diretórios regionais para arranjos distintos, sobretudo no Nordeste.
Na federação União Progressistas, a leitura interna é de cautela diante de um cenário polarizado. Dirigentes reconhecem que Flávio passou a ser tratado como nome viável, mas afirmam que qualquer apoio dependerá do formato da campanha e das negociações estaduais. O presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira, afirma que a decisão será tomada apenas mais adiante, influência direta das relações da federação com o governo federal, que mantém espaço em ministérios estratégicos.
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

