O senador Rodrigo Pacheco indicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que pretende aceitar o convite para concorrer ao governo de Minas Gerais. Segundo interlocutores, o acordo está praticamente fechado e só não será confirmado caso surja algum imprevisto relacionado à mudança partidária do parlamentar mineiro, considerada etapa decisiva para a consolidação da candidatura.
A sinalização foi dada durante reunião realizada nesta quarta-feira, dia 11, no Palácio do Planalto. No encontro, Lula afirmou que precisava de Pacheco como candidato em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país e historicamente decisivo nas disputas presidenciais desde a redemocratização.
Candidato à reeleição, o presidente ainda não conseguiu estruturar um palanque sólido em Minas, onde o Partido dos Trabalhadores enfrenta isolamento político. Nos bastidores, aliados de Lula avaliam que vencer no estado é condição fundamental para o sucesso do projeto presidencial em dois mil e vinte e seis.
Durante a conversa, Lula descartou alternativas e deixou claro que não considera outros nomes para a disputa ao governo estadual. De acordo com relatos, o presidente afirmou que a única opção viável seria o próprio Pacheco, reforçando a importância estratégica do senador para a campanha nacional.
Em resposta, Pacheco disse ter responsabilidade com o Brasil, com Minas Gerais e com a democracia, mas ponderou que precisa resolver sua situação partidária antes de oficializar a candidatura. O senador deve deixar o PSD após a legenda filiar o vice-governador Matheus Simões, lançado como pré-candidato à sucessão de Romeu Zema.
Diante desse cenário, Pacheco negocia filiação ao União Brasil, mas também recebeu convites do MDB e do PSB. As articulações estão sendo conduzidas pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que atua diretamente na construção do acordo político.
Antes disso, Alcolumbre chegou a tentar viabilizar o nome de Pacheco para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Lula, no entanto, tem outro plano para o tribunal.
O presidente defende a indicação do ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para a cadeira no Supremo. A escolha depende de sabatina e aprovação no Senado, ainda sem data definida.
Até o momento, Messias enfrenta resistências de parlamentares do Centrão e do PL, que o consideram excessivamente vinculado ao PT. Lula aguarda um ambiente político mais favorável antes de encaminhar oficialmente o nome ao Senado, enquanto aposta em Pacheco como peça central para fortalecer sua estratégia eleitoral em Minas Gerais.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

