O ex-vereador Carlos Bolsonaro reagiu às declarações do presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, sobre o papel da sigla na definição de candidaturas aos governos estaduais. A manifestação ocorreu após Valdemar afirmar que cabe ao partido decidir os arranjos regionais, enquanto ao ex-presidente Jair Bolsonaro competiria apenas indicar nomes para o Senado.

Segundo Carlos, seu pai participa ativamente da construção política do campo bolsonarista e elabora uma lista de pré-candidatos não apenas ao Senado, mas também a governos estaduais e a outras funções consideradas estratégicas. A posição foi divulgada no mesmo dia em que o ex-vereador visitou o pai, acompanhado de parlamentares, no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, onde Bolsonaro cumpre pena.

Horas depois, em entrevista ao portal Poder360, Valdemar rebateu a interpretação. Ele declarou que o ex-presidente sempre teve a prerrogativa de indicar nomes ao Senado, enquanto a escolha de candidatos aos governos estaduais cabe formalmente ao partido. Para o dirigente, há diálogo interno constante, mas as atribuições estariam claramente definidas.

No dia seguinte, Carlos voltou ao tema e afirmou que ninguém disse que a família Bolsonaro não dialoga com aliados ou que estaria impedida de opinar sobre candidaturas estaduais. Segundo ele, já existia um entendimento de que Jair Bolsonaro apresentaria uma relação de nomes que apoia, cabendo ao partido avaliar e eventualmente apoiar essas indicações.

Em publicação nas redes sociais, Carlos afirmou que a situação demonstra desencontro interno e sugeriu que há um movimento para manter seu pai politicamente isolado. Para ele, as peças parecem se encaixar em um cenário no qual o ex-presidente, classificado como preso político por seus aliados, estaria sendo afastado das decisões partidárias.

Jair Bolsonaro está detido na Papudinha desde o dia quinze de janeiro, após transferência determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O ex-presidente foi condenado a vinte e sete anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Desde a transferência, a unidade prisional passou a funcionar como espaço simbólico de articulação do bolsonarismo. Ali, segundo aliados, cenários eleitorais são discutidos, alianças regionais avaliadas e decisões estratégicas submetidas à validação política do ex-presidente, mantendo sua influência ativa no campo conservador.

Foto: Renan Olaz/CMRJ


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