A sessão do júri popular que julgaria os réus acusados do assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete Pacífico, ocorrido na Bahia, foi adiada para o dia treze de abril. A decisão foi tomada após pedido da nova defesa e comunicada oficialmente pelo Tribunal de Justiça da Bahia. O julgamento estava marcado para esta terça-feira, dia vinte e quatro, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador.

Segundo informações do tribunal, o requerimento de adiamento foi apresentado pela defesa apenas na tarde da segunda-feira, dia vinte e três, poucas horas antes do início da sessão. A juíza Gelzi Maria Almeida, titular do Primeiro Juízo da Primeira Vara do Júri, anunciou a nova data logo na abertura dos trabalhos, atendendo à solicitação dos advogados recém-constituídos.

Os réus Arielson da Conceição dos Santos e Marílio dos Santos respondem pelo homicídio qualificado de Maria Bernadete Pacífico, conhecida nacionalmente como Mãe Bernadete. O crime ocorreu em dois mil e vinte e três, no município de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, dentro da residência da vítima, localizada no Quilombo Pitanga dos Palmares.

De acordo com a acusação, a líder quilombola foi assassinada com vinte e cinco disparos de arma de fogo. Os denunciados respondem por homicídio qualificado, com agravantes de motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima, além do crime de feminicídio e outros delitos associados.

O caso gerou forte comoção nacional, sobretudo porque Mãe Bernadete havia denunciado ameaças frequentes antes de ser morta. Ela integrava o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o que ampliou questionamentos sobre falhas na proteção estatal.

Foto: Alberto Lima/Divulgação


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