O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, decidiu utilizar a estrutura partidária e os eventos organizados pela legenda como instrumento para impulsionar os três pré-candidatos do partido à Presidência da República. A estratégia envolve uma série de encontros políticos e agendas públicas que devem ampliar a exposição nacional dos governadores Eduardo Leite, Ratinho Júnior e Ronaldo Caiado, todos filiados ao partido.
Na próxima semana, os três governadores participarão de eventos de filiação do PSD em diferentes cidades do estado de São Paulo. As atividades fazem parte de um movimento planejado pela direção nacional para dar protagonismo aos nomes que disputam internamente a indicação presidencial da sigla e, ao mesmo tempo, fortalecer a presença partidária em regiões estratégicas do país.
A cúpula do partido tem reiterado que ainda não há definição sobre qual dos três será o escolhido para representar o PSD na disputa pelo Palácio do Planalto. A intenção é utilizar praticamente todo o prazo disponível até o início de abril, quando a legislação eleitoral exige que governadores deixem seus cargos para concorrer à Presidência da República.
Internamente, a principal preocupação da legenda é preservar a unidade partidária e construir um entendimento que seja aceitável para os três postulantes. Neste primeiro momento, a estratégia adotada é integrar os pré-candidatos às diferentes correntes internas do partido, garantindo visibilidade equilibrada e participação ativa nas decisões políticas.
Em um segundo estágio, já com o nome definido, o PSD pretende intensificar o diálogo com outras siglas. Apesar disso, dirigentes partidários reconhecem que há resistência de setores de outros partidos à ideia de Kassab lançar um candidato próprio à Presidência. A avaliação, no entanto, é que a definição de um nome tende a facilitar as negociações e atrair aliados de forma mais natural.
Mesmo antes da escolha oficial, a direção do PSD admite que cada pré-candidato pode, de forma individual, iniciar conversas com outras legendas. A leitura é que esse movimento não compromete a unidade partidária e permite ampliar o alcance político de cada governador em seus respectivos campos de influência.
De olho no maior colégio eleitoral do país, Kassab intensificou sua atuação política em São Paulo. A agenda inclui visitas a cidades do interior, como Sorocaba, Presidente Prudente, Itapevi e Santos, previstas para o primeiro fim de semana de março. A ofensiva busca reforçar o enraizamento do partido fora da capital e medir a receptividade regional aos nomes colocados na disputa presidencial.
Na capital paulista, os três presidenciáveis participarão de um encontro do conselho político da Associação Comercial de São Paulo, marcado para o dia 9 de março. O evento é visto como uma oportunidade de aproximação com o setor empresarial e de ampliação do diálogo com lideranças econômicas.
Além de São Paulo, o partido planeja realizar eventos semelhantes em outros estados e tem estimulado os governadores a organizarem agendas próprias, de forma independente. A orientação é que cada um explore seus pontos fortes regionais e amplie sua projeção nacional.
Nos bastidores, dirigentes avaliam que São Paulo será decisivo para qualquer projeto presidencial competitivo. O estado concentra o maior número de eleitores do país e exerce influência direta na formação de alianças políticas e no desempenho eleitoral em disputas nacionais.
A movimentação ocorre em paralelo ao enfraquecimento do PSDB em São Paulo e à reorganização do campo de centro-direita. Nesse contexto, o PSD tem avançado na atração de novas lideranças, como o deputado federal Paulo Alexandre Barbosa, ex-prefeito de Santos, e o deputado Vitor Lippi, que deixou o tucanato após mais de 30 anos.
As agendas previstas devem reunir prefeitos, vereadores, empresários e lideranças regionais. O objetivo é fortalecer diretórios municipais, ampliar filiações e criar bases sólidas que sustentem tanto a candidatura presidencial quanto as disputas estaduais e proporcionais.
Foto: divulgação/ PSD

