A concentração de diversos poluentes atmosféricos no ar respirado no Brasil ultrapassa com frequência os limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde, segundo o Relatório Anual de Acompanhamento da Qualidade do Ar 2025, divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o MMA. O documento reúne dados de 2024 e, pela primeira vez, considera os padrões estabelecidos por resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente, o Conama, que atualizou os limites nacionais e definiu etapas de transição para que o país alcance os parâmetros indicados pela OMS.

O relatório analisa a presença de ozônio, monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre, material particulado fino e material particulado inalável. As medições são feitas em estações espalhadas pelo território nacional e permitem identificar tendências de aumento ou redução, variações sazonais e momentos em que os padrões de qualidade do ar são ultrapassados.

Na análise das substâncias monitoradas, apenas o monóxido de carbono e o dióxido de nitrogênio permaneceram, em geral, dentro dos limites da tabela de transição do Conama, registrando poucas ultrapassagens. No Maranhão, por exemplo, houve superação do limite de monóxido de carbono em 18% dos dias acompanhados pela estação Santa Bárbara. As demais substâncias ultrapassaram os limites intermediários ao longo do ano.

De acordo com o relatório, a concentração de ozônio apresentou aumento médio de 11% das medições em 2024, com maiores registros em Minas Gerais e também em estações do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia. O monóxido de carbono registrou crescimento de até 17% no Rio Grande do Sul, além de variações no Rio de Janeiro e em Pernambuco. Já o dióxido de nitrogênio apresentou aumento de até 22% no Rio de Janeiro, com tendência semelhante em São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia.

O Espírito Santo identificou aumento de 16% na concentração de dióxido de enxofre, com variações também no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. O material particulado fino, composto por micropartículas que penetram profundamente nos pulmões e na corrente sanguínea, apresentou redução de até 8,4% em estações de São Paulo. Por outro lado, o material particulado inalável, formado por partículas maiores que atingem o trato respiratório, teve aumento de 8% em estação localizada em escola de Minas Gerais.

O MMA destaca que os resultados reforçam a necessidade de fortalecer os planos estaduais de gestão da qualidade do ar, com controle de emissões, elaboração de inventários e ampliação das redes de monitoramento. O país conta com 570 estações de monitoramento, número que representa crescimento de 91 unidades em relação a 2023 e de 175 na comparação com 2022. Ainda assim, há limitações no envio de dados ao MonitorAr, com 21 estações sem status informado e outras 75 inativas. Especialistas defendem a consolidação da Política Nacional de Qualidade do Ar, a atualização do Pronar e a definição de parâmetros para níveis críticos de poluição, além de planos de contingência para episódios extremos.

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil


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