O ex-presidente Jair Bolsonaro divulgou neste domingo uma carta manuscrita na qual sai em defesa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e faz um apelo à união do campo conservador para as eleições de dois mil e vinte e seis. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal a mais de vinte e sete anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro afirmou ter orientado a esposa a se envolver diretamente nas articulações políticas apenas após março do próximo ano eleitoral.

No texto, tornado público inicialmente por um portal de notícias e depois repercutido por outros veículos, o ex-presidente critica ataques vindos de setores da própria direita e manifesta preocupação com disputas internas. “Dirijo-me a todos que comungam conosco dos mesmos valores — Deus, pátria, família e liberdade — para dizer que lamento as críticas da própria direita dirigidas a alguns colegas e à minha esposa”, escreveu.

A declaração ocorre em meio a divergências sobre estratégias eleitorais e definição de candidaturas majoritárias, incluindo vagas ao Senado. Bolsonaro sustenta que Michelle estaria concentrada em questões familiares, mencionando o acompanhamento da filha Laura, recém-operada, e os cuidados com a própria saúde do ex-presidente.

Ao abordar o cenário eleitoral, ele defendeu que apoios sejam construídos por meio do diálogo. “Numa campanha majoritária, bem como as cobiçadas vagas para o Senado, os apoios devem vir pelo diálogo e convencimento, nunca por pressões ou ataques entre aliados”, registrou.

Michelle Bolsonaro vem sendo citada por aliados como possível candidata ao Senado pelo Distrito Federal em dois mil e vinte e seis, hipótese que ganhou força após a inelegibilidade do ex-presidente. Dentro do Partido Liberal e do campo conservador, a definição dessas candidaturas é vista como estratégica.

O texto termina com agradecimento “pelo carinho e consideração” e com a frase “Da nossa união o futuro do Brasil”. Ao reforçar a necessidade de coesão, Bolsonaro busca reorganizar o debate interno da direita em um contexto de rearranjos políticos e antecipação das disputas eleitorais. Analistas observam que Michelle consolidou liderança entre segmentos específicos do eleitorado, especialmente entre evangélicos e mulheres, embora sua eventual candidatura ainda gere divergências no próprio partido.

Foto: Divulgação/ PL


Avatar

administrator