O projeto apresentado pelo senador Ciro Nogueira que propõe ampliar a cobertura de investimentos garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito levanta questionamentos após o colapso do Banco Master. A proposta previa elevar o limite de proteção aos investidores de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por aplicação.
O Fundo Garantidor de Crédito foi criado para proteger pequenos investidores e preservar a estabilidade do sistema financeiro. A função do mecanismo é assegurar parte dos depósitos feitos em instituições financeiras em caso de quebra ou insolvência de bancos, evitando efeitos em cadeia no mercado.
No entanto, especialistas apontam que ampliar significativamente o limite de cobertura poderia estimular modelos de negócios considerados de alto risco. O próprio empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, chegou a admitir que utilizava o sistema de garantias do fundo como parte da estratégia de captação da instituição.
Estimativas indicam que o ecossistema financeiro ligado ao Banco Master gerou um prejuízo entre R$ 55 bilhões e R$ 60 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito. Esse valor representa aproximadamente metade do patrimônio total do fundo.
Diante da situação, o FGC solicitou aos cerca de 250 bancos que atuam no país a antecipação de até 7 anos de contribuições para recompor o caixa da entidade.
Além disso, o Banco Central autorizou o uso de parte dos depósitos compulsórios das instituições financeiras para ajudar na recomposição do fundo, medida considerada excepcional dentro do sistema financeiro.
Diante desse cenário, surgem questionamentos sobre os impactos da proposta apresentada no Congresso e sobre quais estudos técnicos teriam fundamentado a iniciativa legislativa apresentada pelo senador.
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Fonte: O Globo

