Mais de um mês após anunciar sua saída do União Brasil e a intenção de se filiar ao PSD, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ainda não oficializou a mudança partidária. Apesar do anúncio feito anteriormente, ele permanece formalmente nos quadros do União Brasil e, no site oficial da legenda, continua listado como presidente do diretório estadual da sigla em Goiás.
A mudança de partido ocorre em meio à indefinição interna no PSD sobre quem representará a legenda na disputa pela Presidência da República. O presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, afirmou no fim de janeiro que a definição do nome que concorrerá ao Palácio do Planalto deverá ocorrer até o dia 15 de abril.
Nesta terça-feira, Caiado afirmou que a decisão de se filiar ao PSD já está acertada, mas explicou que a formalização ainda não ocorreu porque pretende realizar um grande evento em Goiás para marcar a troca de partido. As declarações foram dadas ao jornal goiano O Popular.
Segundo o governador, a filiação não será apenas um ato formal de assinatura. Ele pretende transformar o momento em um evento político de maior dimensão em seu estado. “Não depende de mais nada. Já está acertado, com a palavra dada. É um evento que eu também vou fazer no meu estado. Não será simplesmente uma assinatura, será um evento”, declarou.
Caiado integra o grupo de governadores que disputam espaço dentro do PSD para representar o partido na eleição presidencial. Além dele, também aparecem como possíveis candidatos os governadores Ratinho Júnior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul.
A decisão de deixar o União Brasil foi motivada, segundo aliados, pela ausência de disposição da legenda em lançar uma candidatura própria à Presidência da República. Esse cenário dificultava os planos de Caiado de disputar o Palácio do Planalto.
Mesmo aguardando a oficialização da filiação, o governador afirmou que pediu a Kassab que antecipe a decisão sobre o candidato do partido. Segundo ele, essa definição é necessária para que os possíveis concorrentes iniciem articulações políticas e viagens pelo país.
“Solicitei a antecipação. Acho que é fundamental. Não tem por que nós esperarmos tanto tempo. Temos que começar a caminhar o Brasil. Eu, a partir do dia 31, já não sou mais governador do estado e tenho que percorrer o país”, afirmou.
A data mencionada por Caiado se aproxima do prazo definido pela legislação eleitoral. Para disputar as eleições pelo PSD, ele precisa estar oficialmente filiado à legenda até o dia 3 de abril, conforme as regras do Tribunal Superior Eleitoral.
O anúncio inicial da mudança ocorreu no dia 27 de janeiro, quando Caiado divulgou um vídeo ao lado de Kassab, Eduardo Leite e Ratinho Júnior celebrando o acordo político entre os governadores e a direção do partido.
Na ocasião, os quatro líderes afirmaram que não havia interesse pessoal na disputa presidencial e que o nome escolhido para representar o grupo teria o apoio dos demais na construção de um projeto político nacional.
Pesquisa divulgada recentemente pelo instituto Genial Quaest apontou que Caiado teria 32% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que aparece com 42%. Ratinho Júnior registrou 35%, contra 43% de Lula, enquanto Eduardo Leite marcou 28%, frente a 42% do presidente.
A assessoria de Caiado confirmou que a filiação ainda não foi registrada oficialmente devido à intenção do governador de realizar um evento político para marcar o momento. A data da cerimônia, no entanto, ainda não foi definida.
Apesar da mudança partidária em nível nacional, Caiado afirma que o arranjo político em Goiás não será alterado. Segundo ele, a troca de legenda não interfere nas alianças locais nem impõe alinhamentos automáticos no plano estadual.
O vice-governador Daniel Vilela, do MDB, permanece como o nome apoiado por Caiado para disputar o governo estadual nas próximas eleições. Sobre a possibilidade de o PSD reivindicar a vaga de vice na chapa, o governador afirmou que a decisão será tomada apenas durante as convenções partidárias, previstas para o mês de junho.
Foto: Divulgação/ Governo de Goiás

