O Diretório Nacional do Partido Socialismo e Liberdade decidiu neste sábado não integrar a federação formada por PT, PCdoB e PV. A proposta era defendida por um grupo interno da legenda ligado ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, mas acabou derrotada por ampla maioria durante reunião da executiva nacional.

A votação terminou com 47 integrantes contrários à adesão do PSOL à federação e 15 favoráveis à proposta. A decisão representa uma derrota política para o grupo de Boulos dentro da legenda e reforça a posição de outras correntes partidárias que defendiam manter a autonomia da sigla no cenário eleitoral.

Durante o mesmo encontro, os dirigentes também decidiram renovar a federação já existente com o partido Rede Sustentabilidade. A aliança entre as duas legendas continuará em vigor para as próximas eleições, mantendo o arranjo político estabelecido anteriormente entre PSOL e Rede.

Apesar da rejeição à federação com o PT, o partido aprovou por unanimidade o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão indica que, embora preserve sua independência organizacional, o PSOL seguirá alinhado ao campo político que sustenta o atual governo federal.

A presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, afirmou que o debate interno ocorreu de forma ampla e democrática, com participação de todas as correntes da legenda. Segundo ela, a decisão agora é concentrar esforços na organização partidária e na ampliação da representação no Congresso Nacional.

Coradi declarou que o momento exige unidade para enfrentar os desafios eleitorais e fortalecer a presença da legenda no Legislativo. Segundo ela, a prioridade do partido é ampliar sua bancada de deputados e contribuir para a reeleição do presidente Lula nas eleições nacionais.

A votação evidenciou a divisão interna dentro do PSOL. De um lado estavam integrantes da corrente Revolução Solidária, liderada por Guilherme Boulos e pela deputada federal Erika Hilton, ambos defensores da federação com o PT. Do outro estavam correntes como Primavera Socialista e Movimento Esquerda Socialista, que se posicionaram contra a aliança.

Erika Hilton afirmou que o resultado da votação já era esperado devido às movimentações políticas registradas dentro do partido nos dias anteriores à reunião. Mesmo discordando da decisão, ela declarou que respeita a escolha da maioria dos integrantes da executiva nacional.

Segundo a deputada, a federação poderia fortalecer o campo da esquerda e ampliar a presença do PSOL em regiões como Norte e Nordeste. Na avaliação dela, a decisão tomada pelo partido pode limitar estratégias de crescimento eleitoral em alguns estados.

Já a deputada federal Sâmia Bomfim comemorou o resultado da votação. Para ela, a rejeição à federação com o PT garante que o PSOL preserve sua independência política e mantenha autonomia nas decisões tomadas no Congresso Nacional.

Sâmia afirmou que a decisão permitirá ao partido defender suas próprias propostas, apresentar candidaturas próprias em estados e municípios e manter liberdade de

posicionamento nas votações parlamentares. Ao mesmo tempo, ela destacou que o PSOL continuará ao lado de Lula na disputa eleitoral prevista para outubro.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil


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