O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, voltou a criticar decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A nova manifestação ocorreu após a revogação da autorização para que Darren Beattie, assessor do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, visitasse Jair Bolsonaro na unidade prisional conhecida como Papudinha.
A declaração foi feita nesta sexta-feira, 13, quando o senador deixou o Hospital DF Star, em Brasília. Jair Bolsonaro está internado na Unidade de Terapia Intensiva após apresentar sintomas compatíveis com broncopneumonia.
Durante conversa com jornalistas, Flávio Bolsonaro afirmou que a decisão judicial representa uma reação exagerada diante da possibilidade de visita do assessor norte-americano.
“Tem que parar com essa paranoia de que alguém está vindo aqui no Brasil para fazer interferência”, afirmou o senador ao comentar a decisão do Supremo Tribunal Federal.
O ministro Alexandre de Moraes decidiu revogar, na quarta-feira, 12, a autorização que havia concedido anteriormente para a visita de Darren Beattie ao ex-presidente. Na decisão, o ministro argumentou que a visita solicitada pela defesa de Jair Bolsonaro não estava relacionada aos motivos diplomáticos que justificaram a concessão do visto ao assessor norte-americano.
Segundo Moraes, a presença de Beattie no Brasil havia sido autorizada para participação no Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, previsto para ocorrer no dia 18 de março na cidade de São Paulo.
O ministro também destacou que a visita ao ex-presidente não foi previamente comunicada às autoridades diplomáticas brasileiras.
A mudança na decisão ocorreu após o Ministério das Relações Exteriores informar ao Supremo Tribunal Federal que o visto concedido a Beattie tinha finalidade específica e restrita à participação no evento internacional.
De acordo com o Itamaraty, o governo dos Estados Unidos não havia informado previamente que o assessor pretendia visitar Jair Bolsonaro durante sua passagem pelo Brasil.
Pela manhã, Flávio Bolsonaro já havia criticado a decisão do ministro por meio de publicação nas redes sociais. Na mensagem, o senador afirmou que a medida poderia provocar tensão desnecessária nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
Ele também questionou qual seria o impedimento para que o assessor norte-americano visitasse o ex-presidente.
O episódio ganhou novos desdobramentos após o governo brasileiro anunciar a revogação do visto de Darren Beattie. A decisão foi justificada com base no princípio de reciprocidade adotado nas relações diplomáticas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o assessor norte-americano não poderá entrar no Brasil enquanto não houver regularização da situação do visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e de integrantes de sua família.
A declaração foi feita durante evento realizado no Rio de Janeiro, na cerimônia de inauguração do Hospital do Andaraí. Segundo interlocutores do Ministério das Relações Exteriores, a decisão segue práticas comuns da diplomacia internacional.
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

