O presidente da CPI do INSS, senador Carlos Viana, afirmou que a decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a ausência da presidente do Palmeiras, Leila Pereira, representa uma interferência clara nos trabalhos da comissão parlamentar de inquérito. Segundo o parlamentar, medidas desse tipo têm dificultado o andamento das investigações conduzidas pelo Senado.
A oitiva de Leila Pereira estava prevista para esta quarta-feira, quando ela seria ouvida na condição de testemunha. No entanto, a sessão foi cancelada após a decisão do ministro. Além de presidir o clube paulista, Leila também é dirigente de instituição financeira, o que motivou o convite da CPI para esclarecer possíveis relações entre a Previdência Social, bancos e operações de crédito consignado.
Carlos Viana destacou que a empresária não figura como investigada, mas seria uma peça importante para esclarecer aspectos relevantes das apurações. “A decisão, ainda que constitucionalmente fundamentada, interfere diretamente na independência da investigação parlamentar”, afirmou o senador, acrescentando que recebeu o despacho com surpresa e indignação.
O parlamentar também afirmou que a comissão enfrenta dificuldades recorrentes para ouvir investigados e testemunhas, o que tem levado a mudanças na condução dos trabalhos. Segundo ele, a CPI já trabalha com dois cenários distintos para os próximos dias.
Caso haja prorrogação do prazo de funcionamento da comissão, a estratégia será concentrar as oitivas apenas em testemunhas, sem novos pedidos de quebra de sigilo. Por outro lado, se não houver extensão do prazo, a tendência é que o relatório final seja apresentado já na próxima semana.
De acordo com Viana, o documento já ultrapassa 5 mil páginas e poderá ser votado em breve. Paralelamente, a CPI pretende compartilhar informações com a comissão que investiga o crime organizado, especialmente em relação a suspeitas envolvendo o caso Master.
O senador também indicou que pretende insistir na convocação do banqueiro Daniel Vorcaro, considerado peça central nas investigações que apuram possíveis fraudes em operações de crédito consignado.
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

