A confirmação de um caso de sarampo em uma bebê de 6 meses na cidade de São Paulo reacendeu o alerta das autoridades de saúde sobre a importância de manter altas coberturas vacinais no Brasil. A criança não tinha idade para receber a vacina, o que evidencia a dependência da chamada proteção coletiva para evitar a circulação do vírus.

O calendário do Sistema Único de Saúde estabelece que a primeira dose da vacina tríplice viral seja aplicada aos 12 meses de idade, garantindo proteção contra sarampo, caxumba e rubéola. Aos 15 meses, é indicada a vacina tetra viral, que reforça a imunização e inclui também a proteção contra a catapora.

Segundo especialistas, a alta cobertura vacinal cria uma barreira de proteção para aqueles que ainda não podem ser imunizados, como é o caso de bebês menores de 1 ano. O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, explica que a vacina contra o sarampo possui elevada eficácia e reduz significativamente a transmissão do vírus.

“A vacina impede não apenas a infecção, mas também a transmissão. Isso significa que, quando a cobertura é alta, o vírus tem dificuldade de circular, protegendo inclusive os mais vulneráveis”, afirmou.

O caso registrado em São Paulo foi importado. A bebê havia viajado com a família para a Bolívia em janeiro, país que enfrenta um surto da doença desde o ano passado. Esse tipo de situação reforça a necessidade de manter a imunização em níveis elevados para impedir que casos vindos do exterior desencadeiem surtos no território nacional.

O sarampo é considerado uma das doenças mais contagiosas. De acordo com especialistas, basta a presença de uma pessoa infectada em um ambiente com indivíduos não vacinados para que haja rápida disseminação do vírus. Por isso, a cobertura vacinal é apontada como a principal ferramenta de controle.

Dados recentes mostram que, no ano passado, 92,5 por cento dos bebês receberam a primeira dose da vacina, mas apenas 77,9 por cento completaram o esquema vacinal na idade correta. Essa diferença preocupa autoridades sanitárias, já que compromete a eficácia da proteção coletiva.

A recomendação é que pessoas sem comprovante de vacinação atualizem a imunização. Indivíduos entre 5 e 29 anos devem receber duas doses, com intervalo mínimo de 30 dias. Já para a faixa etária de 30 a 59 anos, é indicada uma dose única. A vacina é contraindicada apenas para gestantes e pessoas com comprometimento do sistema imunológico.

Embora o Brasil mantenha o certificado de país livre da circulação do vírus, concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde em 2024, o histórico recente mostra que a situação pode se reverter. Em 2016, o país já havia conquistado esse status, mas perdeu em 2019 após surtos iniciados por casos importados.

O cenário internacional também é motivo de preocupação. No continente americano, foram registrados 14.891 casos em 14 países no último ano, com 29 mortes. Somente nos primeiros meses deste ano, já foram confirmados 7.145 casos, indicando aumento significativo da circulação do vírus.

Especialistas alertam que a maioria dos casos ocorre entre pessoas não vacinadas, especialmente crianças menores de 1 ano. Além de altamente contagioso, o sarampo pode causar complicações graves, como pneumonia e encefalite, podendo levar à morte.

Outro ponto de atenção é o impacto da doença sobre o sistema imunológico. Após a infecção, o organismo pode permanecer fragilizado por um período de 3 a 6 meses, aumentando o risco de outras infecções. Diante desse cenário, autoridades reforçam que a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção.

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil


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