A Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado do Senado aprovou, nesta quarta-feira, dia dezoito, requerimentos para aprofundar as investigações sobre o esquema envolvendo o Banco Master, com foco na identificação dos beneficiários finais de fundos ligados à instituição e à Reag Investimentos. A medida é considerada estratégica para rastrear possíveis operações de lavagem de dinheiro associadas ao caso.

A CPI tem como objetivo investigar a atuação, expansão e funcionamento de organizações criminosas no Brasil, especialmente facções e milícias, além de avaliar a eficácia das políticas públicas de combate à lavagem de dinheiro. A apuração inclui suspeitas de uso do comércio de joias e de estruturas financeiras complexas para movimentação de recursos ilícitos.

O requerimento aprovado, apresentado pelo relator Alessandro Vieira, solicita informações detalhadas à Comissão de Valores Mobiliários, ao Banco Central, à Receita Federal e à Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais. A intenção é identificar quem são os beneficiários finais de fundos exclusivos ou restritos ligados ao Banco Master.

Segundo o relator, o uso de múltiplas camadas de fundos dificulta a identificação dos verdadeiros donos dos recursos. Ele explicou que esse tipo de estrutura é frequentemente utilizado para distanciar o capital de sua origem criminosa, criando uma aparência de legalidade por meio de operações sucessivas no mercado financeiro.

Durante a sessão, a comissão também aprovou a convocação de pessoas consideradas relevantes para o avanço das investigações. Entre elas está a empresária Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como figura central no caso. Parlamentares investigam a transferência de um imóvel de alto valor, que pode configurar tentativa de ocultação de patrimônio.

Além disso, foi aprovada a convocação de dirigentes e sócios da empresa Prime Aviation, ligada a Vorcaro. A comissão também autorizou a quebra de sigilos fiscal, bancário e telefônico da empresa, suspeita de ter sido utilizada para transporte de aliados e parceiros em voos particulares, possivelmente relacionados a operações investigadas.

A senadora Soraya Thronicke, autora de parte dos requerimentos, afirmou que a empresa é considerada peça central na rede de companhias que poderiam ter sido utilizadas para lavagem de dinheiro. Segundo ela, a proximidade com agentes políticos reforça a necessidade de aprofundar as apurações.

Outro requerimento aprovado prevê a convocação do ex-governador do Mato Grosso, Pedro Taques, que tem denunciado irregularidades em operações de crédito consignado envolvendo servidores públicos estaduais. A CPI pretende esclarecer a extensão dessas possíveis fraudes.

Por outro lado, a comissão rejeitou pedidos considerados mais sensíveis. Por seis votos contra dois, foi negada a quebra de sigilos bancário e fiscal do ex-ministro da Fazenda Paulo Guedes. Também foi rejeitada, por seis votos contra quatro, a convocação do presidente do Partido Liberal, Valdemar da Costa Neto.

Parlamentares da oposição argumentaram que tais medidas extrapolariam o escopo da CPI e poderiam ter motivação político-eleitoral. O senador Marco Rogério afirmou que pedidos baseados em acusações ainda não comprovadas fragilizam o papel da comissão.

Já integrantes da base governista defenderam a ampliação das investigações. O senador Rogério Carvalho afirmou que o esquema investigado teria se desenvolvido durante a gestão econômica anterior, destacando a responsabilidade de órgãos de controle e do próprio ambiente regulatório.

A sessão também foi marcada pela ausência do ex-diretor de fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza. Ele havia sido convocado para prestar depoimento, mas decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, tornou seu comparecimento facultativo, e ele optou por não participar.

Com as novas medidas aprovadas, a CPI busca avançar na identificação dos fluxos financeiros e na responsabilização de envolvidos. A expectativa dos parlamentares é que a obtenção de dados sobre beneficiários finais permita esclarecer a estrutura do esquema e subsidiar propostas de aprimoramento da legislação de combate ao crime organizado no país.

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado


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