O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, afirmou nesta quarta-feira, dia 25, que permanecerá no comando do estado até o fim de seu mandato caso o PSD opte por lançar o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato à Presidência da República. A declaração foi feita durante entrevista concedida no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, onde Leite se reuniu com o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab.

A sinalização do governador gaúcho ocorre em meio às articulações internas do PSD para definir seu posicionamento na disputa presidencial de 2026. Na véspera, Caiado também esteve com Kassab na capital paulista e manifestou interesse em representar o partido na eleição. Apesar disso, o dirigente ainda não oficializou qual será o nome escolhido, embora aliados indiquem uma inclinação favorável ao governador goiano.

Eduardo Leite ressaltou que sua permanência no governo estadual está diretamente condicionada à possibilidade de disputar o Palácio do Planalto. Segundo ele, abrir mão do mandato só faria sentido diante de um projeto nacional competitivo. Caso contrário, afirmou que seguirá à frente da administração gaúcha até o final.

O governador também descartou, ao menos por enquanto, a hipótese de deixar o PSD em busca de outra legenda. Ele afirmou que aguarda a definição interna do partido sobre qual estratégia será adotada para a eleição presidencial e qual papel a sigla pretende desempenhar no cenário político nacional.

Leite destacou que o PSD terá, pela primeira vez, a oportunidade de lançar um candidato próprio à Presidência e afirmou que a legenda precisa decidir se pretende se consolidar como uma alternativa à polarização política ou se irá disputar votos dentro dos polos já existentes. Para ele, esse posicionamento será determinante para o futuro político do partido e de seus quadros.

No campo eleitoral, o governador aparece com 3% das intenções de voto, segundo pesquisa Datafolha divulgada no início do mês. No mesmo levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva registra 39%, enquanto o senador Flávio Bolsonaro aparece com 34%. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, tem 4%.

Apesar dos números, Leite relativizou o peso das pesquisas neste momento. Segundo ele, os levantamentos refletem mais o cenário de polarização entre os principais grupos políticos do que uma escolha consolidada do eleitorado. Na avaliação do governador, muitos eleitores ainda não conhecem todas as alternativas disponíveis e tendem a se posicionar com base em rejeições.

Ele argumentou que parte dos entrevistados manifesta intenção de voto em Lula como forma de impedir o retorno do bolsonarismo, enquanto outros apoiam nomes ligados à família Bolsonaro para barrar a continuidade do PT no poder. Nesse contexto, afirmou que há um contingente significativo de eleitores que ainda não está plenamente convencido por nenhuma das opções.

Leite avaliou que o cenário deve se tornar mais claro à medida que as candidaturas forem oficialmente definidas e a campanha eleitoral ganhar força. Até lá, segundo ele, as pesquisas devem ser interpretadas com cautela, servindo mais como indicador de percepções e sentimentos do eleitorado do que como retrato definitivo da disputa.

A reunião com Kassab é vista como decisiva para os próximos passos do PSD. A expectativa é que a legenda avance na definição de sua estratégia eleitoral nas próximas semanas, o que pode impactar diretamente o futuro político de Eduardo Leite e o desenho da disputa presidencial.

Foto: João Pedro Rodrigues/Secom


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