O senador Flávio Bolsonaro embarca nesta quinta-feira para os Estados Unidos, onde participará da Conferência de Ação Política Conservadora, a CPAC, evento que reúne lideranças da direita internacional. A viagem ocorre às vésperas da previsão de alta hospitalar do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando passa a valer o regime de prisão domiciliar.
O encontro será realizado em Dallas, no Texas, e contará também com a presença do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos há mais de 1 ano. A programação começou nesta quinta-feira e segue até sábado, com previsão de discurso de Flávio no último dia.
Embora seja tradicionalmente o principal nome da conferência, o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump não participará desta edição. Esta será a primeira ausência dele em cerca de 10 anos, em razão de compromissos internacionais relacionados à guerra com o Irã.
Ainda assim, o evento reúne figuras influentes do conservadorismo, como Steve Bannon, além de autoridades e parlamentares republicanos. A conferência é considerada um espaço estratégico para articulação política e troca de experiências entre lideranças alinhadas à direita.
Esta será a 5ª viagem internacional de Flávio desde que passou a se posicionar como pré-candidato à Presidência da República em 2026. Nos últimos meses, o senador intensificou agendas externas, incluindo visitas a países do Oriente Médio, Israel e França, em encontros com representantes do campo conservador.
Aliados avaliam que a sequência de compromissos internacionais busca projetar Flávio como interlocutor do bolsonarismo no cenário global. Por outro lado, dentro do Partido Liberal há cobranças por maior presença do senador nas articulações internas, especialmente diante da indefinição de palanques estaduais.
O cenário político também é impactado pela decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que concedeu prisão domiciliar a Jair Bolsonaro por pelo menos 90 dias. A medida passa a valer após a alta hospitalar prevista para sexta-feira.
Com restrições de visitas, o acesso ao ex-presidente tende a se tornar mais limitado, o que altera a dinâmica interna do grupo político. Nesse contexto, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deve ganhar protagonismo, passando a atuar como principal interlocutora no contato com Bolsonaro.
Ela deverá centralizar a organização das agendas, filtrando demandas e definindo quais interlocutores terão acesso ao ex-presidente. Antes, esse contato era mais direto, com reuniões frequentes com parlamentares e lideranças partidárias.
Embora advogados possam visitá-lo diariamente, garantindo acesso formal a Flávio, aliados reconhecem que a rotina de viagens do senador pode limitar sua presença em Brasília. Esse fator tende a reduzir sua capacidade de atuação como principal canal político do ex-presidente neste momento.
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