A leitura do relatório final da CPI do INSS foi marcada por forte tensão e troca de ofensas entre parlamentares nesta sexta-feira, durante sessão na Câmara dos Deputados. O episódio mais grave ocorreu no início da apresentação do parecer, quando o deputado Lindbergh Farias entrou em confronto direto com o relator, deputado Alfredo Gaspar, provocando um bate-boca que interrompeu os trabalhos da comissão.
A confusão começou antes mesmo da exposição do conteúdo do relatório. Durante sua fala inicial, Alfredo Gaspar optou por relembrar um episódio ocorrido no Supremo Tribunal Federal, em 2018, envolvendo os ministros Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes. Na ocasião, Barroso dirigiu duras críticas ao colega durante julgamento sobre doações de campanha, em um dos momentos mais tensos da história recente da Corte.
A leitura do trecho no ambiente já polarizado da CPI contribuiu para elevar ainda mais os ânimos entre os parlamentares. Incomodado com a abordagem adotada pelo relator, Lindbergh Farias interrompeu a sessão e iniciou uma troca de acusações, dando início a um confronto verbal que rapidamente saiu do controle.
Durante o embate, Lindbergh dirigiu uma ofensa direta ao relator, o que gerou reação imediata. Alfredo Gaspar respondeu às provocações, intensificando o clima de hostilidade no plenário da comissão. O episódio provocou constrangimento entre os presentes e levou à intervenção do presidente da CPI, senador Carlos Viana.
Ao tentar restabelecer a ordem, Viana classificou como grave a ofensa dirigida ao relator e advertiu sobre as consequências do comportamento. Segundo ele, o caso poderá ser encaminhado ao Conselho de Ética da Câmara, uma vez que o nível das acusações ultrapassou os limites do debate parlamentar.
A tensão evidenciou o ambiente de disputa política que marca a fase final da CPI do INSS. O relatório elaborado por Alfredo Gaspar prevê mais de duzentos pedidos de indiciamento, o que tem intensificado a divisão entre parlamentares da base governista e da oposição.
Nos bastidores, aliados do governo articulam estratégias para tentar barrar a aprovação do parecer. Entre as medidas adotadas está a alteração na composição da comissão, com o objetivo de mudar a correlação de forças e dificultar o avanço do relatório.
O episódio desta sexta-feira reforça o cenário de instabilidade na comissão, que se aproxima da votação final sob forte pressão política e clima de confronto entre seus integrantes.
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

