O presidente do PSD, Gilberto Kassab, explicou nesta segunda-feira os motivos da escolha do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato do partido à Presidência da República. Segundo ele, a decisão se baseou no entendimento de que Caiado apresenta “mais chances” de chegar ao segundo turno das eleições e, consequentemente, de disputar a vitória contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Kassab destacou que a escolha não configura uma “terceira via”, mas uma “alternativa aos brasileiros”.
— A decisão foi por uma questão eleitoral, entendendo que Ronaldo Caiado tem mais chances de chegar no segundo turno. E chegando no segundo turno, que precisa chegar no segundo turno para ganhar as eleições, ele vencerá as eleições — declarou Kassab durante o evento Banco Safra Macro Day.
O dirigente do PSD elogiou os outros presidenciáveis do partido, os governadores Ratinho Júnior, do Paraná, que desistiu da disputa, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, preterido em favor de Caiado. Na manhã desta segunda, Leite publicou um vídeo em que criticou a decisão e afirmou que a escolha mantém o cenário de “polarização radicalizada”.
— Isso não quer dizer que o Ratinho não teria sido um excelente candidato e um grande presidente da República. E da mesma forma, Eduardo Leite, com sua juventude, vontade de acertar e excelência na gestão, teria sido uma ótima opção — afirmou Kassab.
Nos últimos dias, houve pressão externa de personalidades de centro, fora do PSD, para que Leite fosse indicado. Economistas e ex-presidentes do Banco Central, como Armínio Fraga e Pérsio Arida, manifestaram apoio público à candidatura de Leite. No entanto, a direção da sigla manteve a avaliação de que Caiado seria o nome mais competitivo para representar o partido.
Ratinho Júnior desistiu da corrida presidencial após considerar que seu futuro político no Paraná ficaria comprometido com a aliança formalizada entre o PL e o senador Sergio Moro. Inicialmente inclinado a se lançar, o governador recuou para proteger sua sucessão estadual.
Enquanto Eduardo Leite enfrenta resistência no Rio Grande do Sul, Caiado pavimentou caminho mais seguro para eleger seu sucessor, o vice-governador Daniel Vilela (MDB). Considerado responsável por uma das administrações mais bem avaliadas do país, Caiado deixará o governo nas mãos de Vilela nesta semana, garantindo que ele possa conduzir a gestão até as eleições.
O vice é filho de Maguito Vilela, que governou Goiás entre 1995 e 1998. A pré-candidatura de Caiado foi oficializada em 14 de março, em evento que marcou sua filiação ao PSD, com presença de Kassab e do líder nacional do MDB, Baleia Rossi (SP).
Leite, agora preterido na disputa presidencial, precisa decidir sobre sua desincompatibilização até 4 de abril. Caso deixe o Executivo gaúcho, o vice Gabriel de Souza (MDB) assumiria o governo seis meses antes do pleito, ampliando sua capilaridade e consolidando a base para eventual candidatura à reeleição.
Na semana passada, Leite já havia declarado que, se não fosse escolhido, permaneceria no cargo até o fim do mandato em dezembro. A situação complica a estratégia de Gabriel, que enfrenta concorrência do deputado bolsonarista Luciano Zucco (PL) e dos ex-deputados Edegar Pretto (PT) e Juliana Brizola (PDT), todos com vantagem nas pesquisas de intenção de voto.
Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil

