A previsão do mercado financeiro para a inflação oficial do país teve nova alta e chegou a 4,31% para este ano, segundo dados divulgados nesta segunda-feira, dia 30, no Boletim Focus, elaborado pelo Banco Central do Brasil. Na semana anterior, a estimativa estava em 4,17%, indicando uma sequência de revisões para cima diante de um cenário global mais instável.

O indicador utilizado como referência é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, que mede a variação dos preços para as famílias. Mesmo com a elevação recente, a projeção ainda permanece dentro do intervalo de tolerância definido pelo Conselho Monetário Nacional, que estabelece meta central de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

A pressão inflacionária tem sido influenciada por fatores internos e externos, incluindo as tensões geopolíticas no Oriente Médio, que impactam principalmente o preço do petróleo. Esse cenário contribui para a elevação de custos e incertezas, refletindo nas expectativas dos analistas consultados pelo Banco Central.

Dados recentes mostram que, em fevereiro, a inflação mensal ficou em 0,7%, puxada pelos aumentos nos setores de transportes e educação. Apesar disso, o acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, ficando abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024, o que sinaliza algum alívio no médio prazo.

Para controlar a inflação, o principal instrumento utilizado pelo Banco Central é a taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 14,75% ao ano. Na última reunião do Comitê de Política Monetária, houve redução de 0,25 ponto percentual, movimento mais cauteloso do que o esperado anteriormente pelo mercado.

A trajetória da Selic nos últimos meses foi marcada por elevações consecutivas entre 2024 e 2025, seguidas por um período de estabilidade. Agora, há expectativa de início de um ciclo de queda, embora o cenário externo possa levar a revisões nessa estratégia. O próximo encontro do comitê está previsto para abril.

As projeções do mercado indicam que a taxa básica deve encerrar 2026 em 12,5% ao ano, com novas reduções nos anos seguintes. Para 2027, a estimativa é de 10,5%, enquanto para 2028 deve cair para 10%. Em 2029, a expectativa é de 9,75% ao ano.

Além da inflação, o Boletim Focus também revisou levemente a projeção de crescimento econômico. A expectativa para o Produto Interno Bruto deste ano passou de 1,84% para 1,85%. Para os anos seguintes, a previsão é de expansão moderada, com crescimento de 1,8% em 2027 e de 2% em 2028 e 2029.

Em relação ao câmbio, a estimativa para o dólar ao fim deste ano foi mantida em R$ 5,40, com leve alta projetada para R$ 5,45 em 2027. O comportamento da moeda também depende do cenário internacional e das decisões de política monetária em grandes economias.

O conjunto de dados revela um cenário de cautela, no qual inflação, juros e crescimento seguem condicionados tanto por fatores domésticos quanto por incertezas externas, exigindo atenção contínua das autoridades econômicas.

Foto: José Cruz/Agência Brasil


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