O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar, na terça-feira (31), os impactos da guerra no Irã sobre a economia brasileira e afirmou que o país não deve arcar com os custos de um conflito internacional. Segundo ele, o governo federal está adotando medidas para evitar a alta do preço do óleo diesel, combustível que influencia diretamente a inflação e o custo de vida da população.
Durante evento realizado em São Paulo, Lula declarou que o Brasil não pode ser penalizado por decisões geopolíticas de outras nações. Ao comentar a escalada do conflito no Oriente Médio, o presidente responsabilizou o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelas tensões que contribuíram para o cenário atual.
O chefe do Executivo destacou que a gestão federal tem buscado conter o aumento do diesel, mas enfrenta dificuldades estruturais no mercado de combustíveis. Ele mencionou que a venda da antiga BR Distribuidora, ocorrida em governos anteriores, reduziu a capacidade de controle sobre os preços ao consumidor final, permitindo maior atuação de intermediários na formação dos valores praticados.
Lula afirmou que, mesmo quando há redução nos preços por parte da Petrobras, essa queda nem sempre chega ao consumidor. Segundo ele, isso ocorre devido à atuação de distribuidores e atravessadores. Para enfrentar essa situação, o presidente disse que órgãos como a Polícia Federal e o Ministério Público estão sendo mobilizados para reforçar a fiscalização no setor.
O conflito no Irã tem provocado efeitos significativos no mercado internacional de petróleo. Com ataques envolvendo forças dos Estados Unidos e de Israel, o preço do barril registrou alta expressiva nas últimas semanas, afetando diretamente os custos dos combustíveis em diversos países. No caso brasileiro, o impacto é ampliado pela dependência de importações, já que cerca de trinta por cento do diesel consumido no país vem do exterior.
De acordo com Lula, o aumento do preço do combustível tende a se espalhar por toda a cadeia produtiva. Ele alertou que a alta do diesel impacta diretamente o transporte de mercadorias, elevando os preços de alimentos e outros produtos essenciais. O presidente citou itens básicos como arroz, feijão e hortaliças como exemplos de produtos que podem sofrer reajustes.
Diante desse cenário, Lula cobrou responsabilidade das principais potências mundiais. Ele mencionou os países que integram o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas — Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia — e afirmou que essas nações deveriam atuar para garantir a paz global.
Segundo o presidente, a criação da ONU, em mil novecentos e quarenta e cinco, teve como objetivo evitar novos conflitos internacionais. No entanto, ele avaliou que as grandes potências têm contribuído para o agravamento das tensões, em vez de buscar soluções diplomáticas.
Para reduzir os efeitos da crise, o governo brasileiro prepara a edição de uma medida provisória que prevê a concessão de subsídio ao diesel importado. A proposta estabelece desconto de R$ 1,20 por litro, com custo total estimado em R$ 3 bilhões ao longo de dois meses.
O plano prevê divisão dos custos entre a União e os estados, cabendo a cada parte arcar com R$ 0,60 por litro subsidiado. A iniciativa busca conter a alta dos combustíveis e evitar riscos de desabastecimento, diante da defasagem entre os preços internos e o mercado internacional.
A expectativa é de que o governo conclua negociações com os estados antes da publicação da medida provisória, garantindo maior adesão ao programa e ampliando sua eficácia.
O conflito no Oriente Médio completou cerca de um mês sem perspectiva concreta de acordo. Analistas apontam riscos econômicos, ambientais e climáticos associados à guerra, que ocorre em uma das regiões mais estratégicas para a produção mundial de petróleo.
Diante desse cenário, o governo brasileiro reforça a defesa do diálogo e da diplomacia como caminhos para a resolução do conflito. Para Lula, a prioridade deve ser evitar a escalada da guerra e seus impactos econômicos, que acabam atingindo países que não participam diretamente das hostilidades, como o Brasil.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

