O União Brasil atravessa um momento de forte instabilidade interna, marcado pela saída de deputados federais e pela insatisfação crescente com a condução do presidente da legenda, Antônio Rueda. O movimento ocorre durante a janela partidária, período em que parlamentares podem trocar de partido sem perder o mandato, e já resultou em uma redução significativa da bancada da sigla na Câmara.

Em fevereiro, antes da abertura da janela, o partido contava com cinquenta e nove deputados. Desde então, ao menos vinte e dois já deixaram a legenda ou indicaram que irão sair. Nos bastidores, há expectativa de que novas baixas ocorram, o que pode reduzir ainda mais o tamanho da bancada e comprometer o peso político da sigla no Congresso Nacional.

Entre os principais motivos apontados pelos parlamentares estão a busca por palanques mais competitivos nos estados e críticas diretas à gestão de Rueda. Deputados afirmam que falta articulação política e clareza programática, o que dificulta a permanência de quadros relevantes no partido. Procurado, o dirigente não se manifestou sobre as críticas.

O deputado Pauderney Avelino, do Amazonas, que também avalia deixar a legenda, atribuiu parte da debandada à condução da presidência. Segundo ele, a falta de experiência política de Rueda tem contribuído para o enfraquecimento da sigla. Já Kim Kataguiri, que deixou o partido recentemente, afirmou que a ausência de um programa claro e os conflitos regionais pesaram na decisão de vários parlamentares.

Uma das saídas mais emblemáticas foi a do deputado Danilo Forte, do Ceará, que migrou para o Progressistas após divergências internas. Forte afirmou que havia um acordo para que fosse indicado à disputa por uma vaga no Tribunal de Contas da União, mas que o compromisso não foi cumprido pela direção nacional. Segundo ele, a falta de respaldo da presidência foi determinante para sua saída.

O parlamentar relatou que chegou a reunir apoio dentro da bancada e do então líder Pedro Lucas Fernandes, mas que não houve avanço na indicação. Para Forte, a postura da direção priorizou interesses pessoais em detrimento de decisões coletivas. Ele afirmou que, diante do cenário, optou por deixar o partido e buscar novos caminhos políticos.

O União Brasil foi criado a partir da fusão entre PSL e DEM, com registro aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral em fevereiro de dois mil e vinte e dois. Inicialmente, a legenda se consolidou como uma das maiores forças da Câmara, mas passou a enfrentar crises internas após disputas pelo comando partidário.

A ascensão de Rueda à presidência ocorreu após o afastamento de Luciano Bivar, em meio a divergências internas. Desde então, o partido tem enfrentado sucessivas

disputas internas, incluindo conflitos na escolha de lideranças e na definição de estratégias políticas.

Um episódio que exemplifica essa tensão ocorreu na escolha da liderança da bancada na Câmara, quando Rueda indicou Pedro Lucas para o posto sem seguir o processo interno tradicional. A decisão gerou insatisfação entre parlamentares e aprofundou divisões já existentes dentro da sigla.

Além das questões internas, a federação com o Progressistas também tem sido apontada como fator de desgaste. Em diversos estados, integrantes das duas legendas passaram a disputar o controle de diretórios regionais, o que intensificou conflitos locais. Parlamentares que perderam espaço nessas disputas optaram por deixar o partido.

Esse cenário se repetiu em estados como Alagoas, onde aliados do deputado Alfredo Gaspar relataram promessas não cumpridas sobre o comando do diretório estadual. O espaço acabou sendo ocupado por grupo ligado ao ex-presidente da Câmara Arthur Lira, levando Gaspar a migrar para outra legenda.

Há ainda críticas à condução centralizada da direção nacional, com relatos de intervenções em diretórios estaduais sem diálogo prévio com lideranças locais. Esse tipo de decisão tem ampliado o desgaste entre parlamentares e dirigentes regionais.

Apesar da crise, a direção do partido tenta conter a saída de quadros. O líder da bancada tem atuado para convencer deputados a permanecer na sigla e, ao mesmo tempo, busca atrair novos nomes para recompor a base. Rueda também entrou diretamente nas negociações, mas, segundo relatos, encontrou dificuldades para reverter o movimento de saída.

A avaliação entre parlamentares é que, sem mudanças na condução política e maior abertura ao diálogo interno, o União Brasil poderá enfrentar um encolhimento ainda mais significativo nos próximos meses, com impactos diretos em sua influência no cenário político nacional.

Foto: Divulgação/ UB


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