A deputada federal e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva anunciou que permanecerá filiada à Rede Sustentabilidade e indicou disposição para disputar uma vaga ao Senado por São Paulo. A decisão ocorre após meses de tensão interna na sigla e da recusa de convites para migração partidária, inclusive de legendas da base governista.

Em nota pública, Marina afirmou que a permanência representa um compromisso com a reconstrução dos princípios fundadores do partido. Segundo ela, a escolha também está alinhada à estratégia de fortalecimento de uma frente política em defesa da democracia e da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A ambientalista ressaltou que pretende ampliar sua atuação no cenário político nacional, especialmente em São Paulo, considerado peça central no processo eleitoral. Nesse contexto, colocou seu nome à disposição para compor a chapa liderada por Fernando Haddad ao governo estadual, disputando a segunda vaga ao Senado.

A construção da candidatura, no entanto, está condicionada a três fatores considerados essenciais pela parlamentar: apoio ao projeto de reeleição de Lula, fortalecimento de uma frente ampla no estado e compromisso com a agenda ambiental. Atualmente, a chapa conta com Haddad como candidato ao governo e a senadora Simone Tebet como nome ao Senado.

A decisão de permanecer na Rede ocorre em meio a um cenário de disputas internas que se intensificaram nos últimos meses. O conflito ganhou força após a eleição para a presidência do diretório nacional, quando o candidato apoiado por Marina foi derrotado por Paulo Lamac, nome ligado à ex-senadora Heloísa Helena.

Desde então, aliados da ministra passaram a denunciar mudanças no estatuto do partido e alegar perseguição interna. Em dezembro, um grupo próximo à parlamentar divulgou manifesto criticando a condução da direção nacional e apontando riscos à democracia interna da legenda.

A crise se estendeu ao campo jurídico. Em janeiro, a Justiça do Rio de Janeiro anulou o congresso partidário que havia consolidado a atual direção da sigla. Posteriormente, a Justiça do Distrito Federal concedeu liminar favorável a aliados de Marina, suspendendo os efeitos de uma resolução que restringia pedidos de desfiliação por justa causa.

Para a ala da ministra, a medida representava um instrumento de pressão política às vésperas da janela partidária, ao dificultar a saída de parlamentares insatisfeitos. Já a direção nacional da Rede afirmou ter recebido as decisões com surpresa e reiterou compromisso com transparência e democracia interna.

Apesar das divergências, Marina afirmou que seguirá atuando para resgatar os valores originais do partido, defendendo a pluralidade e a convivência entre diferentes correntes de pensamento. A estratégia busca manter a identidade da sigla ao mesmo tempo em que amplia sua inserção no debate político nacional.

A eventual candidatura ao Senado em São Paulo pode consolidar o papel da ambientalista como uma das principais lideranças do campo progressista, ao mesmo tempo em que reforça a articulação de uma coalizão mais ampla para as eleições.

Foto: Rogério Cassimiro/ MMA


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