A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva reconheceu a existência de divergências internas na Rede Sustentabilidade, legenda que ajudou a fundar, mas afirmou que a crise não inviabiliza sua permanência no partido nem sua candidatura ao Senado por São Paulo. As declarações foram dadas após críticas públicas da direção nacional da sigla.

Marina reagiu à nota divulgada pelo diretório nacional, que classificou sua decisão de permanecer no partido como motivo de “indignação e perplexidade”. Segundo a ex-ministra, não há descumprimento das normas partidárias nem falta de diálogo. Ela destacou que não pode ignorar questões internas relacionadas à organização da legenda.

A dirigente afirmou que existem divergências sobre o programa, o estatuto e os princípios fundadores da Rede, mas ressaltou que essas diferenças fazem parte do processo político. Para ela, o debate interno não deve ser interpretado como desrespeito ou ruptura institucional.

Marina também criticou decisões internas que, segundo ela, envolveram a dissolução de diretórios legitimamente eleitos e a imposição de direções provisórias. Ainda assim, reforçou que sua permanência na legenda segue dentro das regras da federação partidária, destacando que não há qualquer violação estatutária.

A decisão de continuar na Rede foi anunciada no último dia da janela partidária. Na ocasião, Marina afirmou que pretende contribuir para a restauração dos princípios e valores da sigla, baseando-se no manifesto de fundação do partido.

Além disso, a ex-ministra declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo. Também confirmou que pretende disputar o Senado dentro de uma aliança mais ampla, ao lado de Márcio França.

A resposta da direção nacional da Rede foi contundente. Em comunicado, o partido negou qualquer tipo de perseguição ou tentativa de expulsão e afirmou que divergências anteriores com Marina foram tratadas dentro da normalidade democrática. A sigla também rebateu acusações de falta de diálogo e criticou a judicialização de disputas internas.

O documento acusa o grupo ligado à ex-ministra de tentar interferir no funcionamento do partido por meio de ações judiciais. Segundo a direção, centenas de processos foram movidos contra a estrutura partidária, o que teria dificultado a condução das atividades internas.

A Rede também rejeitou a tese de que seu congresso nacional tenha sido invalidado e afirmou que a atual direção permanece reconhecida. O partido destacou ainda que vem registrando crescimento, citando a chegada de novos parlamentares como sinal de fortalecimento político.

Sobre as eleições de 2026, a legenda informou que as decisões sobre alianças e candidaturas serão tomadas internamente, com base no diálogo e nas normas estatutárias. O partido reiterou apoio ao presidente Lula e à candidatura de Fernando Haddad, reforçando que divergências devem ser resolvidas por meio de debate político.

Apesar do embate público, Marina Silva mantém sua estratégia de articulação política e busca consolidar alianças com partidos do campo progressista, indicando que continuará atuando dentro da legenda enquanto tenta ampliar sua base eleitoral.

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil


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