O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo federal deverá incluir estudantes inadimplentes do Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) no conjunto de medidas voltadas ao combate do endividamento no país. A declaração foi feita na sexta-feira, durante a inauguração de uma unidade do Instituto Federal em Sorocaba, no interior de São Paulo.
Segundo Lula, o aumento da inadimplência entre beneficiários do programa tem preocupado o governo, que pretende ampliar o alcance das políticas de renegociação de dívidas. Apesar disso, o presidente não apresentou detalhes sobre como será estruturado o eventual mecanismo para atender esse público específico.
Ao comentar o tema, Lula destacou a importância de garantir que estudantes não tenham seus projetos de vida interrompidos por dificuldades financeiras. Para ele, a dívida deve ser tratada de forma compatível com a realidade dos jovens que buscaram formação superior por meio do financiamento público.
O presidente argumentou que o pagamento das pendências tende a ocorrer de forma mais sustentável quando os beneficiários conseguem se inserir no mercado de trabalho. Nesse sentido, ele reforçou a ideia de que a qualificação profissional é um elemento central para a recuperação econômica dos estudantes e para o crescimento do país.
Dados do Ministério da Educação indicam que, até outubro de dois mil e vinte e cinco, cerca de cento e sessenta mil estudantes estavam com parcelas em atraso no FIES. O montante acumulado das dívidas chega a aproximadamente um bilhão e oitocentos milhões de reais, evidenciando a dimensão do problema enfrentado pelo programa.
Durante o discurso, Lula voltou a defender a educação como prioridade estratégica, afirmando que os recursos aplicados no setor não devem ser tratados como despesas, mas como investimento. Segundo ele, o avanço econômico, tecnológico e social do Brasil depende diretamente da ampliação do acesso ao ensino de qualidade.
O presidente também fez uma comparação entre os custos do sistema prisional e os investimentos na formação de estudantes. Ele afirmou que o gasto anual com um preso em unidades de segurança máxima supera significativamente o valor investido em alunos de institutos federais, defendendo que a educação deve ser vista como ferramenta de prevenção à criminalidade.
Na avaliação de Lula, a ausência de investimentos suficientes na área educacional contribui para a perpetuação de desigualdades sociais. Ele argumentou que ampliar o acesso à educação pode reduzir problemas estruturais e fortalecer a capacidade produtiva do país ao longo do tempo.
Outro ponto abordado foi a destinação de emendas parlamentares. O presidente sugeriu que deputados federais e senadores direcionem parte dos recursos para a construção de escolas. Segundo ele, a iniciativa poderia ampliar rapidamente a infraestrutura educacional brasileira.
Lula apresentou um cálculo hipotético para ilustrar sua proposta. Considerando o número de parlamentares no Congresso Nacional, ele afirmou que seria possível viabilizar a construção de centenas de novas unidades escolares em todo o país, o que contribuiria para reduzir déficits históricos na área.
Ao final do evento, o presidente adotou um tom descontraído ao comentar relações internacionais, ressaltando o perfil pacífico do Brasil. Ele afirmou que o país valoriza a convivência harmoniosa e não tem interesse em conflitos, destacando a importância de priorizar o bem-estar da população.
A unidade do Instituto Federal inaugurada em Sorocaba foi construída com recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento. As obras começaram em dois mil e vinte e quatro e resultaram em uma estrutura com quatro mil e seiscentos metros quadrados de área, equipada com salas de aula, laboratórios e setores administrativos voltados ao ensino técnico e tecnológico.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

