O aumento dos casos de doenças respiratórias entre crianças tem acendido um alerta em Contagem, especialmente com a mudança de estação e a maior circulação de vírus. Dados do Centro Materno Infantil apontam crescimento significativo nos atendimentos ao longo dos primeiros meses de 2026, indicando maior demanda por cuidados e atenção das famílias.
Em janeiro, foram registrados 623 atendimentos por síndrome respiratória. Em fevereiro, o número subiu para 897, e, em março, chegou a 1.569 casos. O avanço expressivo reforça a necessidade de medidas preventivas e acompanhamento adequado dos sintomas, sobretudo entre crianças pequenas, que estão mais vulneráveis a complicações.
A síndrome gripal é caracterizada pela presença de pelo menos dois sintomas, geralmente envolvendo febre associada a sinais respiratórios. Entre os sintomas mais comuns estão coriza, congestão nasal, tosse e dor de garganta. Em crianças, o nariz entupido é uma das manifestações mais frequentes.
Apesar de muitos quadros serem leves, há risco de evolução para formas mais graves, como a síndrome respiratória aguda grave. Crianças com doenças pré-existentes, como asma, bronquite ou condições pulmonares, estão entre as que exigem maior atenção.
Outro fator observado é a mudança no perfil dos vírus em circulação. Há aumento de casos associados ao rinovírus e à influenza A, além do crescimento do vírus sincicial respiratório, que pode causar bronquiolite e tende a atingir pico nas próximas semanas.
Os sinais de alerta devem ser observados com atenção pelos responsáveis. Dificuldade para respirar, respiração acelerada, cansaço, lábios arroxeados, prostração intensa e recusa de líquidos indicam necessidade de atendimento médico imediato. A febre persistente por mais de 72 horas também é motivo para procurar avaliação.
Casos leves podem ser acompanhados nas Unidades Básicas de Saúde, com medidas simples como hidratação, controle da febre e lavagem nasal. Já os quadros mais graves devem ser encaminhados para unidades de urgência e emergência, onde há suporte adequado.
A prevenção é considerada essencial para reduzir o número de casos. Evitar ambientes fechados e com pouca ventilação, manter a higiene frequente das mãos e orientar as crianças a cobrir a boca ao tossir ou espirrar são medidas importantes.
Para recém-nascidos, recomenda-se evitar contato com muitas pessoas, principalmente nos primeiros três meses de vida. A vacinação também é uma ferramenta fundamental, incluindo imunizações contra influenza e Covid-19.
Outro ponto destacado é o cuidado durante a gestação. A vacinação de gestantes a partir da 28ª semana pode proteger os bebês contra doenças respiratórias nos primeiros meses de vida, período de maior vulnerabilidade.
Além disso, é importante evitar a automedicação. O uso de xaropes e antibióticos sem orientação médica não é recomendado e pode trazer riscos à saúde.
Diante do cenário de aumento de casos em Contagem, especialistas reforçam que informação e prevenção são as principais aliadas. Reconhecer os sintomas, agir rapidamente diante de sinais de gravidade e buscar atendimento no momento adequado são medidas que podem fazer diferença na recuperação das crianças.
Foto: Luci Sallum/PMC

