O mercado financeiro brasileiro fechou em queda nesta quarta-feira (23), em sessão marcada por cautela dos investidores diante do aumento das tensões no Oriente Médio. O Ibovespa recuou 1,65% e encerrou aos 192.888 pontos, no menor patamar desde 8 de abril, pressionado por realização de lucros e reavaliação de riscos no cenário internacional.
O movimento foi influenciado principalmente pelas perdas de ações de bancos e mineradoras, que têm grande peso na composição do índice. Esses papéis lideraram o desempenho negativo da bolsa e ampliaram o recuo do mercado doméstico.
Por outro lado, ações ligadas ao setor de energia ajudaram a conter perdas mais acentuadas, acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional. Ainda assim, o saldo do pregão foi negativo, em meio à postura mais defensiva dos investidores.
Dados recentes também apontaram redução no ingresso de capital estrangeiro na bolsa, fator que contribuiu para enfraquecer o índice em um ambiente de maior aversão ao risco.
No câmbio, o dólar à vista fechou praticamente estável, com leve queda de 0,01%, cotado a R$ 4,974. Apesar do encerramento próximo da estabilidade, a moeda apresentou oscilações ao longo do dia, acompanhando o comportamento dos mercados externos.
No acumulado do ano, o dólar registra queda de 9,39% frente ao real, refletindo fluxo de capitais, diferencial de juros e maior atratividade de ativos brasileiros em determinados momentos.
As tensões geopolíticas também impulsionaram os preços do petróleo, que voltaram a superar o patamar de US$ 100 por barril. O barril tipo Brent Crude subiu 3,5%, encerrando cotado a US$ 101,91. Já o barril West Texas Intermediate avançou 3,66%, para US$ 92,96.
A alta foi atribuída às incertezas sobre negociações envolvendo Estados Unidos e Irã, além de novos episódios no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.
Mesmo com a prorrogação do cessar-fogo anunciada pelo presidente Donald Trump, o cenário segue instável e mantém pressão sobre os mercados.
Analistas avaliam que a combinação entre volatilidade externa, cautela dos investidores e avanço das commodities energéticas tende a seguir influenciando o comportamento dos ativos nos próximos pregões.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

