Os acionistas do Banco de Brasília aprovaram aumento de capital de até R$ 8,81 bilhões em assembleia realizada nesta quarta-feira (22), em medida voltada a reforçar a estrutura financeira da instituição em meio a uma crise institucional e aos desdobramentos da Operação Compliance Zero.
A proposta autoriza a emissão de ações ordinárias e preferenciais, com preço de R$ 5,36 por papel em subscrição privada. Com a operação, o capital social do banco poderá passar dos atuais R$ 2,344 bilhões para, no mínimo, R$ 2,88 bilhões. No cenário máximo projetado, o capital poderá atingir R$ 11,16 bilhões.
Segundo o banco, a capitalização busca assegurar níveis adequados de solvência, ampliar a capacidade de crescimento das operações e fortalecer indicadores prudenciais e patrimoniais. Os acionistas também autorizaram o Conselho de Administração a adotar as providências necessárias para executar a operação.
Durante a assembleia, foram homologadas as nomeações de Nelson Antônio de Souza para a presidência da instituição e de Joaquim Lima de Oliveira e Sergio Iunes Brito para o Conselho de Administração.
Criado em 1964, o BRB enfrenta forte turbulência desde que a Polícia Federal revelou suspeitas de fraudes financeiras ligadas à compra de créditos do Banco Master. A investigação resultou na prisão do controlador do banco privado, Daniel Vorcaro, e no afastamento e prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, investigado por crimes financeiros, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
No início da semana, o banco anunciou memorando de entendimento com a gestora Quadra Capital para alienar ativos adquiridos do Banco Master. Pela proposta, a gestora pagaria à vista entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões pelos créditos e poderia desembolsar outros R$ 11 bilhões ou R$ 12 bilhões, conforme o desempenho da cobrança desses ativos.
A operação prevê a criação de um fundo de investimento para gestão e monetização dos créditos, com participação do BRB e da Quadra. A transação ainda depende de análise do Banco Central do Brasil.
Especialistas avaliam que o aumento de capital e a tentativa de reorganização dos ativos podem aliviar pressões de curto prazo, mas não eliminam desafios estruturais enfrentados pela instituição.
O economista César Bergo afirmou que o acordo pode dar fôlego ao banco, mas indicou necessidade de outras medidas, incluindo ajustes na estratégia de negócios, reforço de governança e reestruturação financeira.
A capitalização aprovada é vista como passo relevante para tentar restaurar confiança no banco estatal e ampliar margem para enfrentar os impactos das investigações, em um momento em que o BRB busca preservar operações, reduzir riscos e reconstruir sua credibilidade no mercado.

